terça-feira, 20 de abril de 2010

João de Deus, Abadiânia (GO)

João Teixeira de Faria [ou João de Deus], Abadiânia (GO).
É para lá que irei daqui a pouco.
Soube da existência de ambos através de uma tia materna, moradora em Brasília (DF).
A cidade, por sinal, hoje completa 50 anos.
Ela esteve em São Paulo em março.
Na conversa que tivemos, a espitualidade surgiu. Ela se diz católica e discorria sobre minhas duas cirurgias.
Em determinado momento ela citou pela primeira vez o médium e sua cidade. Afirmou que muitas pessoas, inclusive do exterior, buscavam nele cura espiritual.
Abadiânia, para quem não conhece, fica a 760 km de Araraquara (SP) e a 75 da capital federal.
Na semana seguinte (21/03), um artigo publicado no caderno Mais! da Folha de SPaulo relatava as observações de um repórter enviado à cidade de pouco mais de 12 mil habitantes e as impressões do cineasta Bruno Barreto. Transcrevo abaixo os textos publicados:

Médium Max

Com placas e cardápios em inglês, cidade de 12 mil habitantes, a pouco mais de cem km de Brasília, hospeda espírita que atrai pessoas do mundo todo em busca de cura de doenças as mais variadas


Na rua do centro espírita, as lojas vendem suvenires como a camisa da seleção brasileira

VINICIUS SASSINE
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA,
EM ABADIÂNIA (GO)


A entidade chama: "Este aqui chegou como louco, já tomou 22 eletrochoques". Depois, quer que os mais próximos ouçam o relato de uma mulher. "Por que você veio até aqui?", pergunta.
"Porque eu não conseguia engravidar. A gravidez só "segurou" por sua causa", responde a gaúcha de Cruz Alta (RS), pela segunda vez em Abadiânia, no interior de Goiás.
É a vez de uma paciente grega, que retornou ao Brasil para agradecer pela cirurgia realizada na última vez em que esteve na cidade. "Os médicos retiravam o tumor, mas ele voltava e sangrava."
As conversas, sempre curtas, duram o dia inteiro no centro espírita Dom Inácio Loiola, conhecido como Casa de Dom Inácio. Uma multidão de enfermos se enfileira para ver e manifestar seus problemas a João de Deus.
Ou, melhor, a uma das mais de 30 entidades que a equipe do centro espírita diz que João recebe, entre elas o espírito do médico sanitarista brasileiro Osvaldo Cruz, morto no início do século passado.
João Teixeira Farias, de 68 anos, o João de Deus, contradiz a própria equipe. Não é espírita nem recebe tantas entidades, segundo ele. "Tenho uma missão apenas."
João de Deus é John of God para a grande maioria das pessoas que passam as quartas, quintas e sextas-feiras na Casa Dom Inácio. Europeus, norte-americanos e asiáticos, nessa ordem, descobriram Abadiânia, uma cidade de 12 mil habitantes a 88 quilômetros de Goiânia e a pouco mais de 100 quilômetros de Brasília.

Cirurgias espirituais
Eles são maioria na busca pela cura que a medicina não obteve. Conduzem rituais de oração e "cirurgias espirituais", muitas delas com incisões carregadas de misticismo para retirada de nódulos, cistos e outras partes doentes do corpo.
Vestem branco. Passam horas sentados, de olhos fechados. Esperam a vez da conversa ou da "cirurgia" com João de Deus.
A Casa Dom Inácio recebe, por dia, entre 600 e 800 pessoas que, de alguma maneira (principalmente pela boca de amigos), ficaram sabendo da existência de João de Deus.
Chegam, identificam a fila onde devem entrar da primeira vez, a da "cirurgia", a fila do retorno e já decidem ali, frente à frente com o médium, qual será o procedimento adotado.
Na quarta-feira passada, uma única pessoa fez a cirurgia com cortes.
"Ele retirou com um bisturi os caroços que eu tinha perto do peito", conta o empresário de Salvador (BA) Marcos Falcão, 46, enquanto se recuperava numa maca da enfermaria. "Sangrou, mas não senti dor."
Outras 150 pessoas fizeram as "cirurgias espirituais", sem incisões no corpo.
Foi assim que o estudante paulista Robert Hoffman, 22, diz ter se curado de um tumor benigno no cérebro. Robert fez a cirurgia espiritual na Casa Dom Inácio em 5/2.
No Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o tumor de cinco centímetros foi retirado sete dias depois.
"Não fiquei nem uma semana no hospital, e sem sequelas, como os médicos chegaram a dizer no início", afirmou.
O centro espírita já registrou a presença de estrangeiros de 22 países. São principalmente pessoas com deficiências físicas ou com problemas graves de saúde, como esclerose múltipla e câncer. "Tenho esperança de ser curado", diz o italiano Pietro de Maria, 38, paraplégico desde 1995 por causa de um acidente de moto. "Vou ser operado na semana que vem."
O suíço Raymond Gallaz, 55, conta ter dispensado a cadeira de rodas que Pietro ainda usa por causa de João de Deus.
É a quarta vez do suíço em Abadiânia. "Não preciso mais da cadeira."
Os voluntários de João de Deus são os mesmos que organizam as caravanas com os estrangeiros rumo a Abadiânia. Eles negociam a hospedagem entre os voluntários, são proprietários de dezenas de pousadas e hotéis na cidade e trabalham como tradutores ou guias na Casa Dom Inácio -um lugar amplo, com diversos espaços para cirurgias, orações, farmácia, enfermaria e sala de espera.

TV de plasma
Na rua do centro espírita, as lojas vendem suvenires como a camisa da seleção brasileira de futebol. As placas das pousadas e os cardápios das lanchonetes são em inglês. Muitas casas são alugadas pelos visitantes de outros países, que passam meses, anos ou até uma vida inteira em Abadiânia.
É é o caso de um francês que se casou com uma brasileira nascida na cidade. Na parede da casa, pintou uma mensagem que fala em cura na Casa Dom Inácio.
Questionado sobre a razão de tantos estrangeiros o procurarem, João de Deus diz que são os "trabalhos realizados por mais de 30 anos". Ele dá respostas curtas às acusações que já enfrentou, principalmente de charlatanismo. "Para mim, tudo é normal."
Ele viaja todos os anos para Nova York (EUA), onde mantém uma Casa Dom Inácio. Já esteve também na Nova Zelândia, na Alemanha, em Portugal e na Grécia.
Em cada atendimento, o médium ouve seu seguidor e anota num papel o medicamento necessário ao tratamento espiritual.
É uma essência de passiflora, produzida na farmácia do centro espírita e vendida por R$ 60. Banhos de cristal, suvenires e água fluidificada também são vendidos por sua equipe.
O centro recebe diversas doações, em dinheiro ou produtos. "Não cobramos dízimo", provoca o médium. Mas uma placa exibida em uma das salas do centro -ao lado de uma TV de plasma que transmite continuamente sessões gravadas de cirurgias sempre com incisões conduzidas pelo médium- lembra: "All donation welcome".


Realismo mágico

Diretor de "O Que É Isso, Companheiro ?", Bruno Barreto diz que pensa em fazer um filme sobre João de Deus, que conheceu em viagem a Abadiânia
Tem pessoas em cadeiras de rodas, enfaixadas, com curativos nas costas, nas condições mais diferentes

EUCLIDES SANTOS MENDES
DA REDAÇÃO

No início de fevereiro de 2009, o cineasta Bruno Barreto -que dirigiu "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), "O Que É Isso, Companheiro?" (1997) e "Última Parada 174" (2008), entre outros filmes- fez uma viagem, segundo ele mesmo "uma experiência única", pelo interior de Goiás.
Foi a Abadiânia para conhecer de perto João Teixeira de Farias, 67, o médium conhecido como João de Deus e considerado o sucessor de Chico Xavier (1910-2002).
Em entrevista à Folha, por telefone, Barreto diz que a presença de estrangeiros na cidade goiana é tão impactante que a língua inglesa passou a fazer parte do cotidiano. Para o cineasta, que considera a possibilidade de fazer um filme sobre João de Deus, o médium é uma pessoa muito simples, quase "primitiva", mas também ambiciosa.

FOLHA - Por que você viajou a Abadiânia?
BRUNO BARRETO - Um amigo meu estava com problemas de saúde e tinha que fazer uma cirurgia -mais uma das várias que fizera. Então resolveu ir a Abadiânia para se consultar com João de Deus. Até então, nunca tinha ouvido falar nele. A viagem foi uma experiência única. É difícil tecer qualquer julgamento [sobre o que vi], porque Abadiânia é um lugar em que o realismo mágico de Gabriel García Márquez [escritor colombiano] seria pouco para descrevê-la.
É uma cidade muito pequena, mas cheia de estrangeiros. Tudo é escrito em inglês e português. Tem pessoas em cadeiras de rodas, enfaixadas, com curativos nas costas, nas condições mais diferentes e de todo lugar do mundo -indianos, árabes, japoneses, alemães-, uma mistura incrível. Conversei com uma mulher de Abu Dhabi [Emirados Árabes Unidos] que levou lá o seu filho com leucemia. Tinha gente da Arábia Saudita, tinha budista, muçulmano, católico, judeu.
Ficamos dois ou três dias na cidade, onde há vários pequenos hotéis e pousadas; é tudo muito básico.
Tem pessoas que ficam lá três meses, porque querem fazer a "cirurgia" com João de Deus -que só atende duas ou três vezes por semana. Elas formam inicialmente uma fila, ajoelham-se, falam com ele -que fica sentado e diz ao seu assistente o que é preciso fazer. Tem consultas espirituais em que parece não fazer nada, não toca as pessoas. Indica remédios que são comprados lá mesmo. Esse é o atendimento mais generalizado.
Depois, pode-se tentar uma entrevista privada ou marcar uma "cirurgia".
FOLHA - Qual impressão lhe causou sua figura?
BARRETO - É uma pessoa muito simples, um curandeiro. Sentamos com ele, conversamos. É uma pessoa muito direta. Não cobra nada. Recebe doações. Muita gente colabora. Diz que recebe a entidade de um médico e faz as operações. Vi quando cortou o peito de uma mulher, inclusive filmei isso com uma câmera de vídeo. Sou totalmente cético, não sigo nenhuma religião. Mas prestei muita atenção na operação: ele enfiou o dedo no corte feito com um bisturi desinfetado. Isso num salão que tinha um palco, uma plateia. Tem algo realmente de espetáculo, para todo mundo ver. Essa mulher ficava encostada na parede, sem piscar o olho. Estava diagnosticada com câncer de mama.

FOLHA - Durante a "cirurgia", a mulher sangrava muito?
BARRETO - Não, sangrava pouco. Fez o corte nela, lavou as mãos, enfiou o dedo sem luva [na incisão] e tirou algo de dentro do peito dela. Parecia um tumor. A parte mais incrível é que, depois, pegou um alicate que segurava na ponta uma agulha e deu alguns pontos no ferimento. A mulher não piscou o olho. Isso foi impressionante.
É inegável que eu vi o que vi.
O fato é que dor ela não sentiu.
Ele deu uns seis pontos e ela nem respirava rápido demais, estava muito serena, tranquila.
Se João de Deus tem poder de cura ou não, isso não é uma coisa nova -Zé Arigó e Chico Xavier faziam isso. Mas, definitivamente, foi algo que me impressionou e não me considero equipado para tecer nenhum julgamento [a respeito].
Depois da "cirurgia", conversamos. Ele estava exausto; fica muito cansado. Dialogamos por 20 minutos. Falamos da vida dele, onde mora. Disse que tinha fazendas de gado em Goiás, que viajava no avião particular que está no aeroporto de Anápolis (GO), que ia aos EUA duas vezes por ano.
Disse ainda que desde pequeno já sentia essa energia [espiritual], que era uma pessoa muito introvertida, que lia muito literatura religiosa, que era muito religioso, não tinha muitos amigos.
Ele é kardecista [segue a doutrina fundada, no século 19, pelo francês Allan Kardec].

FOLHA - Ele já fez alguma operação malsucedida?
BARRETO - Sim. Nesse aspecto, ele é muito inteligente. Diz que não faz milagres: "Eu ajudo, mas o fundamental é a vontade da pessoa de se curar. Sou apenas um veículo para isso, para conectar a vontade da pessoa de se curar com a cura em si. Só ajudo nessa conexão".

FOLHA - Ele tem controle sobre o incorporar ou não a entidade?
BARRETO - Sim, ele faz um esforço no momento em que a incorpora. Disse que é como se "corresse uma maratona quando recebe a entidade, tira muito de mim". Mas quando a incorpora, está muito sereno, tranquilo, muito zen. E depois fica sentado numa espreguiçadeira, suado. Vê-se na cara dele a exaustão.


FOLHA - Você pretende fazer algum filme a partir das imagens que registrou em Abadiânia?
BARRETO - Não sei. Eu me impressionei com esse universo que fascina tanta gente ao redor do mundo. Fiquei tentado a investigar isso. Existem basicamente dois tipos de cineastas: os que fazem filmes somente sobre o que conhecem muito bem, como Woody Allen ou Ingmar Bergman; ou os cineastas que fazem filmes sobre assuntos que não conhecem de maneira nenhuma, mas têm uma grande curiosidade, como Wim Wenders ou Walter Salles. Sou desse tipo. Mas tenho que achar o tom certo. Olhar isso com toda a sua complexidade, com a necessidade que o ser humano tem de acreditar em certas coisas.
Dizer que João de Deus é uma fraude ou um charlatão é uma simplificação. É [uma pessoa] fascinante.

FOLHA - Ele te pareceu uma pessoa ambiciosa?
BARRETO - Boa pergunta. No sentido material... ambicioso ele é, claro. Ele não seria quem é se não fosse ambicioso.




Fiz contatos telefônicos com um casal de voluntários da Casa Dom Inácio [é o nome do local] e senti que é chegado o momento de 'carimbar' minha vitória contra o glioblastoma multiforme IV.
Ao alcance dos médicos que conheci, tudo o que existe de mais moderno neste início de década foi aplicado. E com excelentes resultados até a conclusão dos tratamentos de radiocirurgia e quimuioterapias oral e endovenosa.
Agora é com João de Deus.
Topei viajar a convite de Magdalena, que me alertou sobre a reportagem que passou despercebida por mim naquele domingo. Vejam só.
Como kardecista, acredito que ciência, medicina, natureza e a fé caminharão -no futuro-, de mãos dadas.
Temos que aceitar tudo aquilo o que nos é destinado.
Nada acontece em vão.
Curiosamente, estou ouvindo Roupa Nova, "A Viagem".
Até o retorno.
Para saber mais:
http://voluntarioseamigos.org/indexbr.html

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2 comentários:

  1. Alvinho, dificilmente devemos ignorar ou não ter fé. Acredito que tudo que se faz em nome de Deus é válido, afinal todas as religiões não levam a Deus?
    Com restrições quanto a opinião de religiosidade, cada um tem a sua, sempre que for de "bem" e para o "bem", será sempre bem-vindo!

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  2. gostaria que todas as pessoas fizessem muitas orações para meu pai pois tem uma doênça no intestino que ainda não descobriram o que é ele chega a chorar de dor .nome pai JOAQUIM LOURENÇO DA SILVA

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