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sábado, 22 de maio de 2010

Missão individual




Não lembro se era 1976 ou 1977.
Mais provável que tenha sido 77.
Havia ganhado de presente  de meu pai o primeiro gravador de fita cassete. Na foto abaixo, de 1980, aos 8 anos, com o 'trambolho' no colo.
Ganhei também a trilha sonora nacional da novela Estúpido Cupido (Rede Globo).
Não deu outra: o 'DJ' baixou em mim e fiz o que precisava para convencer minha professora (falar e falar na cabeça dela e dos meus pais) a conseguir autorização da direção do Colégio Anglo Latino me deixar levar o gravador e a fita com as músicas de Cely Campello e cia para tocar na 'hora do recreio'.
O pessoal gostou. Até uma coleguinha nipônica, tímida de tudo, curtiu.
Vivia com esse gravador para todos lados: numa hora ouvia música; noutro plugava um microfone e enchia o saco de todo mundo gravando 'entrevistas ao vivo' ou 'apresentando' noticiários. Só não sei onde guardei (ou se joguei fora) as fitas com minhas gravações desse tempo.

Datilografando jornaizinhos em 1980: prenúncio de comunicação no ar













Meados de 80: gravando no 'estúdio' montado no quarto.
Era fã, tiete incondicional da Rádio Cidade FM 96,9 (hoje BandNews FM). Meu sonho: ser DJ, locutor da Cidade!



 
1988, em visita aos estúdios da Cidade
Da esq: eu, Yong, Elisângela, Vivian, Cléri e Bob Floriano (hoje garoto-propaganda Casas Bahia e voz-padrão da E!)



Rádio Cidade Sampa com suas cartucheiras, cartuchos e a mesa de som: era um sonho pilotar aquela 'nave', primeiro lugar no Ibope por muitos anos
  
 1994, estúdios da Morada FM em Araraquara [já comunicador em FM, ao lado de meu saudoso pai].
Anos depois retomaria o traçado original da vida: radiojornalismo

 2009:
ao lado de Nanci Fernandes, nos estúdios do jornalismo Morada

Na imagem abaixo, Luís Carlos [à minha esquerda] que disputava comigo a atenção e os olhares de Andréa -uma amiga da sala que dizia ser minha namoradinha-, disse: "Que legal você trazer o gravador e a fita!"
O tempo passou. E o que cada um da foto fez da vida?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

TV Anglo

fotos Álvaro Taniguti

Ilha de edição U-Matic da TV Anglo Latino (uma delas)

Esta noite sonhei com o colégio onde estudei [76 a 89], o Anglo Latino, no bairro da Aclimação em São Paulo (SP).

Até onde sei, problemas administrativos [leia-se dívidas de todo tipo] levaram-no à falência. Uma pena, pois foi um gigante que 'abraçava' aos poucos os imóveis das proximidades.
Construiu, em 87, um estúdio de televisão (pelo qual era fascinado) com equipamentos de ponta na época [padrão Umatic, fita com bitola bem maior que o VHS, uso profissional].
Marcava presença quase diária (por curiosidade e insistência), mas o máximo que consegui naquele espaço foi fazer umas fotos pessoais, gravar umas caretas para uma videoaula, ver o pessoal trabalhar nas ilhas de edição, além de assistir o coordenador gravar uma externa no parque da Aclimação.
Ele era professor de matemática. A diretoria da escola o incumbiu do projeto. Era técnico demais, percebia nele muito mais teoria do que prática, que os editores (um deles oriundo da Rede Bandeirantes) e o câmera tiravam de letra.
Qual o acerto não sei, mas nas mãos dele -dividindo o tempo entre a matemática e a produção televisiva-, a produtividade era um 'nx zero à esquerda', mesmo na minha visão de adolescente apaixonado por rádio e televisão, porém sem experiência.
Aquele esquema burocrático emperrou projetos como instalar televisores nas salas e nos pátios 'transmitindo' uma programação interna, comum nos dias atuais em um shopping, através de telas LCD.
Como a demanda financeira da ideia megalomaníaca era alta, limitaram-se a montar racks com um televisor e videocassete por andar, para uso em aula.
O estúdio ficou lá, subutilizado. Um desperdício, mesmo diante do recuo da proposta inicial.
Experimente tirar um jornalista da redação e jogá-lo num escritório de engenharia para erguer um prédio. Era a situação dele, o professor dos números.
Terminei o colegial em 89, prometendo nunca mais colocar os pés por lá. Hoje, nem se quisesse. Concretaram todas paredes, portas e portões.
No sonho desta noite, encontrei o lugar em seu último dia de funcionamento. Os porteiros permitiram entrar e percorrer alguns lugares marcantes. Estive na biblioteca, quadra, uma das piscinas infantis que mergulhei quando criança, cantina, salas onde estudei, além da tv, lógico.
Mas era uma sensação estranha, ar de abandono, semelhante ao Titanic nas profundezas do oceano.