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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cybertúmulo


Na última viagem entre São Paulo e Araraquara, uma passageira, mãe de um menino de seis anos, saía do banheiro do ônibus , quando ouviu a seguinte pergunta do garoto:
-"Mãe, olha lá! É alí que o vô, pai do papai está! Não é, mãe?", apontando o dedo para o interior do cemitério de São Carlos, trajeto entre a estrada e o terminal rodoviário.
Não sei se a intenção dela era sentar-se logo ou não queria estender conversa sobre a curiosidade do filho, mas apressou-se em conduzi-lo pelo braço através do corredor: "Vem, filho", sem deixá-lo parar no corredor para esticar o olhar curioso sobre a última morada de todos nós.
Quando era criança e passava alguns dias na casa de uns primos, ficava intrigado ao ver que eles moravam próximos ao cemitério da Vila Mariana em São Paulo (SP).
À noite, da janela de um dos quartos, jurava que conseguia enxergar luzes piscando dos túmulos.
Velas deixadas acesas pelos últimos visitantes no final da tarde, muito provável fosse isso.
Mas na minha visão infantil, poderia ser alguém querendo me dizer algo.
Imagino o que aquele menino possa ter pensado naquele momento em que passamos ao lado do cemitério da capital da tecnologia. Cybertúmulo?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para inglês ver 3

Passageiros de ônibus intermunipais questionam a verdadeira função de funcionários da Agência Reguladora de Serviços Públicos de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) nos principais terminais rodoviários.
Em duplas e usando coletes com a inscrição ‘agente operacional Artesp’ nas costas, entram nos coletivos com uma prancheta.
Andam por todo o corredor, olham o banheiro, o bagageiro e descem, sem dizer nada.
Veem por você. Tão e somente.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

(In)discrição

(In)discrição



Já contei em um de meus posts sobre a desagradável situação de viajar em um ônibus com passageiros espalhando flatulência.


Na última viagem que fiz a Araraquara após o dia de finados, dois adolescentes deram mostra:


1) do que é ser inconveniente num lugar público (o ônibus);


2) que a indiscrição e falta de educação são suas marcas registradas;


3) que ninguém é obrigado a curtir música ruim ou fazer notar perante os demais que ambos gostam de lixo.


Os calçudinhos em bermudas geriátricas e bonés fizeram questão de mostrar que o mp3 deles funciona sem o fone de ouvido, gostam de funk, pagode e a educação, esta, passou longe.


Na retomada da viagem após o ponto de parada, além das músicas, escutei várias vezes até chegar a São Carlos, onde desceram:


-“Que calor da porra tá aqui, mano!”


Não, o som não estava alto a ponto de criar animosidade dentro do ônibus. Eram as músicas mesmo.


Na primeira parte da viagem cochilei. Meus ouvidos filtravam o audio do filme na tv, o barulho natural do ônibus e lá do fundo vinha um funk ou um pagode.


Depois mirei meu mp3 com anos 80 e me desliguei de vez daquilo.


Ando light demais depois da cirurgia.


terça-feira, 6 de outubro de 2009

Máscara de gás

Nas viagens entre Araraquara e São Paulo tenho vivido situações que nunca imaginaria postar no blog.
É verdade!
No dia da alta médica no hospital, Rosi e eu resolvemos viajar no mesmo dia para o interior.
Mal o ônibus entrou na Rodovia doa Bandeirantes começamos a perceber um mau cheiro circulando no corredor.
Pensei: deve ser o aterro sanitário na saída da capital. Não! Era algum condenado que começava a manifestar sua flatulência bem alí, no começo da viagem. E foi assim o trajeto todo!
É lógico que nessa hora você não tem a menor possibilidade de escapar desse infortúnio. Hoje os ônibus tem janelas seladas e ar condicionado. Danou-se!
Sem contar que não dá para ficar apontando suspeitos da façanha.
Para completar, havia dois passageiros sentados atrás que lembravam um personagem tão bem interpretado por Mazzaropi em seus filmes.
Eles não pararam de conversar um minuto nos 270 quilômetros até a Morada do Sol. Até este ponto sou obrigado a ficar quieto, pois se eu quisesse passar o tempo todo tagarelando no ouvido da Rosi, ninguém poderia se queixar.
Os problemas foram dois: um assunto mais tosco que o outro das conversas, indo de negociar, vender e transportar carros usados até cidades que o ônibus nunca passaria perto, mas um deles tinha convicção que iria entrar para desembarcá-los (acho que era Taquaritinga ou Santa Ernestina); segundo: ao parar em São Carlos, um dos  pangarés (desculpe, mas foi o termo que encontrei para  classificá-lo) resolveu utilizar o banheiro. Com a porta aberta.
Rosi cutucou de lado avisando. Como estávamos muito cansados pelo tempo passado no hospital, pedi que deixasse quieto. Senão iria comprar briga lá mesmo.
Creio que estavam bêbados, algo assim. Não pode ser possível.
De lá para cá viajei sozinho e tive o mesmo azar dos 'bufantes' em algumas delas. Mas, desta vez (03 out), estava tão contente em não ter ninguém com quem dividir a poltrona e nenhum 'inspirado' no carro.
Era bom demais para cantar vitória.
Ao final, quando o ônibus encostou na plataforma, uma senhora que parecia ser avó com sua neta...
A garotinha andava à minha frente impregnando' o caminho até a porta de saída...
Socorro! Máscara de gás!