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terça-feira, 20 de abril de 2010

João de Deus, Abadiânia (GO)

João Teixeira de Faria [ou João de Deus], Abadiânia (GO).
É para lá que irei daqui a pouco.
Soube da existência de ambos através de uma tia materna, moradora em Brasília (DF).
A cidade, por sinal, hoje completa 50 anos.
Ela esteve em São Paulo em março.
Na conversa que tivemos, a espitualidade surgiu. Ela se diz católica e discorria sobre minhas duas cirurgias.
Em determinado momento ela citou pela primeira vez o médium e sua cidade. Afirmou que muitas pessoas, inclusive do exterior, buscavam nele cura espiritual.
Abadiânia, para quem não conhece, fica a 760 km de Araraquara (SP) e a 75 da capital federal.
Na semana seguinte (21/03), um artigo publicado no caderno Mais! da Folha de SPaulo relatava as observações de um repórter enviado à cidade de pouco mais de 12 mil habitantes e as impressões do cineasta Bruno Barreto. Transcrevo abaixo os textos publicados:

Médium Max

Com placas e cardápios em inglês, cidade de 12 mil habitantes, a pouco mais de cem km de Brasília, hospeda espírita que atrai pessoas do mundo todo em busca de cura de doenças as mais variadas


Na rua do centro espírita, as lojas vendem suvenires como a camisa da seleção brasileira

VINICIUS SASSINE
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA,
EM ABADIÂNIA (GO)


A entidade chama: "Este aqui chegou como louco, já tomou 22 eletrochoques". Depois, quer que os mais próximos ouçam o relato de uma mulher. "Por que você veio até aqui?", pergunta.
"Porque eu não conseguia engravidar. A gravidez só "segurou" por sua causa", responde a gaúcha de Cruz Alta (RS), pela segunda vez em Abadiânia, no interior de Goiás.
É a vez de uma paciente grega, que retornou ao Brasil para agradecer pela cirurgia realizada na última vez em que esteve na cidade. "Os médicos retiravam o tumor, mas ele voltava e sangrava."
As conversas, sempre curtas, duram o dia inteiro no centro espírita Dom Inácio Loiola, conhecido como Casa de Dom Inácio. Uma multidão de enfermos se enfileira para ver e manifestar seus problemas a João de Deus.
Ou, melhor, a uma das mais de 30 entidades que a equipe do centro espírita diz que João recebe, entre elas o espírito do médico sanitarista brasileiro Osvaldo Cruz, morto no início do século passado.
João Teixeira Farias, de 68 anos, o João de Deus, contradiz a própria equipe. Não é espírita nem recebe tantas entidades, segundo ele. "Tenho uma missão apenas."
João de Deus é John of God para a grande maioria das pessoas que passam as quartas, quintas e sextas-feiras na Casa Dom Inácio. Europeus, norte-americanos e asiáticos, nessa ordem, descobriram Abadiânia, uma cidade de 12 mil habitantes a 88 quilômetros de Goiânia e a pouco mais de 100 quilômetros de Brasília.

Cirurgias espirituais
Eles são maioria na busca pela cura que a medicina não obteve. Conduzem rituais de oração e "cirurgias espirituais", muitas delas com incisões carregadas de misticismo para retirada de nódulos, cistos e outras partes doentes do corpo.
Vestem branco. Passam horas sentados, de olhos fechados. Esperam a vez da conversa ou da "cirurgia" com João de Deus.
A Casa Dom Inácio recebe, por dia, entre 600 e 800 pessoas que, de alguma maneira (principalmente pela boca de amigos), ficaram sabendo da existência de João de Deus.
Chegam, identificam a fila onde devem entrar da primeira vez, a da "cirurgia", a fila do retorno e já decidem ali, frente à frente com o médium, qual será o procedimento adotado.
Na quarta-feira passada, uma única pessoa fez a cirurgia com cortes.
"Ele retirou com um bisturi os caroços que eu tinha perto do peito", conta o empresário de Salvador (BA) Marcos Falcão, 46, enquanto se recuperava numa maca da enfermaria. "Sangrou, mas não senti dor."
Outras 150 pessoas fizeram as "cirurgias espirituais", sem incisões no corpo.
Foi assim que o estudante paulista Robert Hoffman, 22, diz ter se curado de um tumor benigno no cérebro. Robert fez a cirurgia espiritual na Casa Dom Inácio em 5/2.
No Hospital Albert Einstein, em São Paulo, o tumor de cinco centímetros foi retirado sete dias depois.
"Não fiquei nem uma semana no hospital, e sem sequelas, como os médicos chegaram a dizer no início", afirmou.
O centro espírita já registrou a presença de estrangeiros de 22 países. São principalmente pessoas com deficiências físicas ou com problemas graves de saúde, como esclerose múltipla e câncer. "Tenho esperança de ser curado", diz o italiano Pietro de Maria, 38, paraplégico desde 1995 por causa de um acidente de moto. "Vou ser operado na semana que vem."
O suíço Raymond Gallaz, 55, conta ter dispensado a cadeira de rodas que Pietro ainda usa por causa de João de Deus.
É a quarta vez do suíço em Abadiânia. "Não preciso mais da cadeira."
Os voluntários de João de Deus são os mesmos que organizam as caravanas com os estrangeiros rumo a Abadiânia. Eles negociam a hospedagem entre os voluntários, são proprietários de dezenas de pousadas e hotéis na cidade e trabalham como tradutores ou guias na Casa Dom Inácio -um lugar amplo, com diversos espaços para cirurgias, orações, farmácia, enfermaria e sala de espera.

TV de plasma
Na rua do centro espírita, as lojas vendem suvenires como a camisa da seleção brasileira de futebol. As placas das pousadas e os cardápios das lanchonetes são em inglês. Muitas casas são alugadas pelos visitantes de outros países, que passam meses, anos ou até uma vida inteira em Abadiânia.
É é o caso de um francês que se casou com uma brasileira nascida na cidade. Na parede da casa, pintou uma mensagem que fala em cura na Casa Dom Inácio.
Questionado sobre a razão de tantos estrangeiros o procurarem, João de Deus diz que são os "trabalhos realizados por mais de 30 anos". Ele dá respostas curtas às acusações que já enfrentou, principalmente de charlatanismo. "Para mim, tudo é normal."
Ele viaja todos os anos para Nova York (EUA), onde mantém uma Casa Dom Inácio. Já esteve também na Nova Zelândia, na Alemanha, em Portugal e na Grécia.
Em cada atendimento, o médium ouve seu seguidor e anota num papel o medicamento necessário ao tratamento espiritual.
É uma essência de passiflora, produzida na farmácia do centro espírita e vendida por R$ 60. Banhos de cristal, suvenires e água fluidificada também são vendidos por sua equipe.
O centro recebe diversas doações, em dinheiro ou produtos. "Não cobramos dízimo", provoca o médium. Mas uma placa exibida em uma das salas do centro -ao lado de uma TV de plasma que transmite continuamente sessões gravadas de cirurgias sempre com incisões conduzidas pelo médium- lembra: "All donation welcome".


Realismo mágico

Diretor de "O Que É Isso, Companheiro ?", Bruno Barreto diz que pensa em fazer um filme sobre João de Deus, que conheceu em viagem a Abadiânia
Tem pessoas em cadeiras de rodas, enfaixadas, com curativos nas costas, nas condições mais diferentes

EUCLIDES SANTOS MENDES
DA REDAÇÃO

No início de fevereiro de 2009, o cineasta Bruno Barreto -que dirigiu "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), "O Que É Isso, Companheiro?" (1997) e "Última Parada 174" (2008), entre outros filmes- fez uma viagem, segundo ele mesmo "uma experiência única", pelo interior de Goiás.
Foi a Abadiânia para conhecer de perto João Teixeira de Farias, 67, o médium conhecido como João de Deus e considerado o sucessor de Chico Xavier (1910-2002).
Em entrevista à Folha, por telefone, Barreto diz que a presença de estrangeiros na cidade goiana é tão impactante que a língua inglesa passou a fazer parte do cotidiano. Para o cineasta, que considera a possibilidade de fazer um filme sobre João de Deus, o médium é uma pessoa muito simples, quase "primitiva", mas também ambiciosa.

FOLHA - Por que você viajou a Abadiânia?
BRUNO BARRETO - Um amigo meu estava com problemas de saúde e tinha que fazer uma cirurgia -mais uma das várias que fizera. Então resolveu ir a Abadiânia para se consultar com João de Deus. Até então, nunca tinha ouvido falar nele. A viagem foi uma experiência única. É difícil tecer qualquer julgamento [sobre o que vi], porque Abadiânia é um lugar em que o realismo mágico de Gabriel García Márquez [escritor colombiano] seria pouco para descrevê-la.
É uma cidade muito pequena, mas cheia de estrangeiros. Tudo é escrito em inglês e português. Tem pessoas em cadeiras de rodas, enfaixadas, com curativos nas costas, nas condições mais diferentes e de todo lugar do mundo -indianos, árabes, japoneses, alemães-, uma mistura incrível. Conversei com uma mulher de Abu Dhabi [Emirados Árabes Unidos] que levou lá o seu filho com leucemia. Tinha gente da Arábia Saudita, tinha budista, muçulmano, católico, judeu.
Ficamos dois ou três dias na cidade, onde há vários pequenos hotéis e pousadas; é tudo muito básico.
Tem pessoas que ficam lá três meses, porque querem fazer a "cirurgia" com João de Deus -que só atende duas ou três vezes por semana. Elas formam inicialmente uma fila, ajoelham-se, falam com ele -que fica sentado e diz ao seu assistente o que é preciso fazer. Tem consultas espirituais em que parece não fazer nada, não toca as pessoas. Indica remédios que são comprados lá mesmo. Esse é o atendimento mais generalizado.
Depois, pode-se tentar uma entrevista privada ou marcar uma "cirurgia".
FOLHA - Qual impressão lhe causou sua figura?
BARRETO - É uma pessoa muito simples, um curandeiro. Sentamos com ele, conversamos. É uma pessoa muito direta. Não cobra nada. Recebe doações. Muita gente colabora. Diz que recebe a entidade de um médico e faz as operações. Vi quando cortou o peito de uma mulher, inclusive filmei isso com uma câmera de vídeo. Sou totalmente cético, não sigo nenhuma religião. Mas prestei muita atenção na operação: ele enfiou o dedo no corte feito com um bisturi desinfetado. Isso num salão que tinha um palco, uma plateia. Tem algo realmente de espetáculo, para todo mundo ver. Essa mulher ficava encostada na parede, sem piscar o olho. Estava diagnosticada com câncer de mama.

FOLHA - Durante a "cirurgia", a mulher sangrava muito?
BARRETO - Não, sangrava pouco. Fez o corte nela, lavou as mãos, enfiou o dedo sem luva [na incisão] e tirou algo de dentro do peito dela. Parecia um tumor. A parte mais incrível é que, depois, pegou um alicate que segurava na ponta uma agulha e deu alguns pontos no ferimento. A mulher não piscou o olho. Isso foi impressionante.
É inegável que eu vi o que vi.
O fato é que dor ela não sentiu.
Ele deu uns seis pontos e ela nem respirava rápido demais, estava muito serena, tranquila.
Se João de Deus tem poder de cura ou não, isso não é uma coisa nova -Zé Arigó e Chico Xavier faziam isso. Mas, definitivamente, foi algo que me impressionou e não me considero equipado para tecer nenhum julgamento [a respeito].
Depois da "cirurgia", conversamos. Ele estava exausto; fica muito cansado. Dialogamos por 20 minutos. Falamos da vida dele, onde mora. Disse que tinha fazendas de gado em Goiás, que viajava no avião particular que está no aeroporto de Anápolis (GO), que ia aos EUA duas vezes por ano.
Disse ainda que desde pequeno já sentia essa energia [espiritual], que era uma pessoa muito introvertida, que lia muito literatura religiosa, que era muito religioso, não tinha muitos amigos.
Ele é kardecista [segue a doutrina fundada, no século 19, pelo francês Allan Kardec].

FOLHA - Ele já fez alguma operação malsucedida?
BARRETO - Sim. Nesse aspecto, ele é muito inteligente. Diz que não faz milagres: "Eu ajudo, mas o fundamental é a vontade da pessoa de se curar. Sou apenas um veículo para isso, para conectar a vontade da pessoa de se curar com a cura em si. Só ajudo nessa conexão".

FOLHA - Ele tem controle sobre o incorporar ou não a entidade?
BARRETO - Sim, ele faz um esforço no momento em que a incorpora. Disse que é como se "corresse uma maratona quando recebe a entidade, tira muito de mim". Mas quando a incorpora, está muito sereno, tranquilo, muito zen. E depois fica sentado numa espreguiçadeira, suado. Vê-se na cara dele a exaustão.


FOLHA - Você pretende fazer algum filme a partir das imagens que registrou em Abadiânia?
BARRETO - Não sei. Eu me impressionei com esse universo que fascina tanta gente ao redor do mundo. Fiquei tentado a investigar isso. Existem basicamente dois tipos de cineastas: os que fazem filmes somente sobre o que conhecem muito bem, como Woody Allen ou Ingmar Bergman; ou os cineastas que fazem filmes sobre assuntos que não conhecem de maneira nenhuma, mas têm uma grande curiosidade, como Wim Wenders ou Walter Salles. Sou desse tipo. Mas tenho que achar o tom certo. Olhar isso com toda a sua complexidade, com a necessidade que o ser humano tem de acreditar em certas coisas.
Dizer que João de Deus é uma fraude ou um charlatão é uma simplificação. É [uma pessoa] fascinante.

FOLHA - Ele te pareceu uma pessoa ambiciosa?
BARRETO - Boa pergunta. No sentido material... ambicioso ele é, claro. Ele não seria quem é se não fosse ambicioso.




Fiz contatos telefônicos com um casal de voluntários da Casa Dom Inácio [é o nome do local] e senti que é chegado o momento de 'carimbar' minha vitória contra o glioblastoma multiforme IV.
Ao alcance dos médicos que conheci, tudo o que existe de mais moderno neste início de década foi aplicado. E com excelentes resultados até a conclusão dos tratamentos de radiocirurgia e quimuioterapias oral e endovenosa.
Agora é com João de Deus.
Topei viajar a convite de Magdalena, que me alertou sobre a reportagem que passou despercebida por mim naquele domingo. Vejam só.
Como kardecista, acredito que ciência, medicina, natureza e a fé caminharão -no futuro-, de mãos dadas.
Temos que aceitar tudo aquilo o que nos é destinado.
Nada acontece em vão.
Curiosamente, estou ouvindo Roupa Nova, "A Viagem".
Até o retorno.
Para saber mais:
http://voluntarioseamigos.org/indexbr.html

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://curaefe.files.wordpress.com/2009/07/home_image.jpg&imgrefurl=http://curaefe.wordpress.com/a-cura/para-os-espiritas/&usg=__k-_L5H-JGzwFEVxTi6RBfZGi-44=&h=305&w=320&sz=17&hl=pt-BR&start=5&um=1&itbs=1&tbnid=mqIXItldeYksVM:&tbnh=112&tbnw=118&prev=/images%3Fq%3Djo%25C3%25A3o%2Bde%2Bdeus%2Babadi%25C3%25A2nia%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Doff%26tbs%3Disch:1

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://i114.photobucket.com/albums/n269/gilmourpoincaree/wordpress/photos/epoca_joao_de_deus_casa_dom_inac-1.gif&imgrefurl=http://fromscratchnewswire.wordpress.com/2008/11/24/centro-espirita-de-abadiania-atrai-turistas-e-muda-a-economia-local-brasil/&usg=__z2hK6odJ8_SaPbu7LKcSPpZwS_I=&h=290&w=350&sz=64&hl=pt-BR&start=1&um=1&itbs=1&tbnid=uqUqWB4-CRKG0M:&tbnh=99&tbnw=120&prev=/images%3Fq%3Djo%25C3%25A3o%2Bde%2Bdeus%2Bgoiania%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Doff%26sa%3DN%26tbs%3Disch:1

Rápidas & Ácidas

- Macaco Simão em sua coluna diária na Folha de SPaulo e as tirinhas de Níquel Náusea são o início da leitura do jornal diário.
Faço igual japonês: de trás para a frente [é assim que se lê no Japão].
Começo rindo um pouco até chegar ao primeiro caderno [Brasil], com aquelas sujeiras políticas de Brasília.
Meu humor muda como um passe de mágica. Urgh!
O falecido Enéas [meu nome Enéas, do tal Prona, lembra?] seria igualado ao Mahmoud Ahmadinejad (presidente iraniano) se estivesse vivo: ele defendia a construção da bomba atômica se eleito presidente.
Entendi a ideia dele: seria para jogar em cima de Brasília.
Justifico meu voto.
Viaje no dia da eleição e justifique. É o melhor a fazer. Você descansa o dia e dorme com a consciência tranquila, sem culpa por eleger quem não presta [não são todos].

terça-feira, 13 de abril de 2010

Arruda sai da cadeia

Um estrangeiro, ao ver as imagens do ex-governador José Roberto Arruda ontem (12/04), pode perguntar se é algum náufrago resgatado do mar ou alguém que ficou perdido dois meses na selva amazônica, amparado por sua esposa e equipes de socorro.

Talvez se surpreenda ao saber que se trata da soltura -sob aval da justiça-, do ex-governador da capital do Brasil, investigado e preso como líder de um esquema portentoso de corrupção, mas conduzido ao poder com o voto do eleitor.
Somos mesmo o país da piada pronta, como escreve José Simão.
Por isso reafirmo minha convicção em justificar o voto.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sonho da tarde

Calor, quimioterapia, fadiga e sonolência se cruzam trazendo sonhos intensos. Ao menos para mim.
O que não consigo estabelecer é o nexo da química cerebral que desencadeia essas experiências no inconsciente.
Acordei há dez minutos de um cochilo de pouco mais de uma hora, com um leve despertar às 16h05, para marcar na memória o horário que sucedeu minha fantasia.
Faz muito calor em São Paulo esta semana. O termômetro na tela do meu computador marca agora 30oC (às 18h em ponto).
Do quinto ciclo de Temodal comprimidos sinto-me cada vez mais 'aéreo', muito distraído mesmo.
Além da convulsão da minha mão esquerda às 22h da terça (09/03), o clássico 'Jorge versus Miguel' [os gêmeos da novela Viver a Vida sempre em pé de guerra], o conteúdo dos meus sonhos se fortalecem no período da quimioterapia.
Hoje à tarde sonhei que estava em Brasília (DF), no apartamento onde moraram meus tios, Mário e Helena, em férias.
Da última vez a paisagem da janela da sala era a outra quadra [Brasília tem isso, quadras, superquadras, residenciais e comerciais] com prédios comerciais em construção.
No sonho tudo estava erguido, mas o que chamou minha atenção foi uma igreja de médio porte pintada em azul e branco. Não sei se era católica ou protestante, mas era muito atraente.
Ao olhar para baixo, contemplando o lugar (estive lá por duas vezes na vida real), percebi o zelador caminhando sobre o gramado do bloco de apartamentos.
Ele transportava um saco plástico preto (desses de 100 litros) com folhas secas de árvores.
Fixei-me no seu rosto e assustei: era o 'Joãozinho da pedra', um porteiro que trabalhou na emissora e fugiu com toda a família depois de assassinar uma mulher a pedradas às margens da SP 255 (rodovia Antônio Machado Santana, entre Araraquara e Ribeirão Preto) em 1993.
Lembro que o corpo da vítima estava no canteiro de obras da duplicação do trecho conhecido por reta dos motéis. À época eu era comunicador de FM.
Era o 'Joãozinho' lá embaixo, pensei. Como veio se esconder em Brasília?
Do elevador desci até o vão dos prédios para ter certeza daquilo.
Mas, ao aproximar, percebi que não era Joãozinho. Assemelhado no rosto, mas não era.
Mergulhado no sonho, retornei ao terceiro andar e reencontrei meus primos, minha mãe, minha tia e meu irmão.
Algumas coisas estavam diferentes na sala, no banheiro e nos quartos e cozinha, mas era o lugar.
Perguntei à minha mãe como viajamos até Brasília se não lembrava de ter dirigido ou embarcado em um ônibus.
"De avião", respondeu. "Aproveitamos a milhagem acumulada da sua avó e viemos", completou.
Acordei novamente. 17h20. Um calor insuportável aqui em Sampa.
Narrei à minha mãe, com todos os detalhes, o que havia sonhado. Ela fica intrigada com minha capacidade de lembrar detalhes do que sonho: conversas, cores e lugares.
Muito antes das duas cirurgias ou tratamentos, consegui -na maioria dos sonhos mais fortes-, recordar tudo, passo a passo.
O pormenor é que meu tio Mário faleceu em 1994 e meu pai, 2006. Ambos não apareciam neste sonho.
Se possui algum significado, não nos é permitido alcançar.

Fechando
22h45: O termômetro marca 26oC na tela do computador.
Será difícil dormir novamente. Ingeri os 280 mg de Temodal às 21h20 e sinto uma coceira pelo corpo, semelhante a alergia. Ficou mais forte desde o quarto ciclo.
Minhas narinas ardem como se tivesse instilado gotas de soro.
Preciso de uma ducha para refrescar e aliviar a coceira.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Compensação

Acabo de ver no portal UOL uma notícia sobre a corrupção no Distrito Federal, conhecido por 'mensalão do Democratas'.
Além desse 'mais um caso' que ficará impune, condenado ao limbo do esquecimento, pergunto:
Se nossa passagem pela Terra é efêmera e aprendemos a conduzi-la nos princípios morais herdados de outras gerações, haverá compensação para esses que são desesperadamente apegados ao bem material ($$$) e deixam a população sem saúde, educação e previdência, para não entrar em outras questões coletivas?
Minha crença na figura maior (respeito os agnósticos e ateus) não aceita que no dia em que pesarmos na balança tudo o que produzimos (ou não), esses espíritos simplesmente consigam sair impunes igualmente aqui.
O mesmo vale para criminosos que estupram, assassinam, traficam em nome de objetivos tão torpes quanto.
Sempre aparece a pergunta quando um ente querido parte de forma inesperada: "Por que fulano ao invés de tanta gente inútil habitando os quatro cantos da face da Terra?"
Nesse caso acredito que as tarefas, missões, provas e expiações de cada um tenham se encerrado. Com o tempo aceitamos, mas não compreendemos.
Essa gente corrupta e desavergonhada ficará no mesmo patamar que o nosso na prestação de contas?
Vale a pena seguir as regras? Sim, claro que sim (dormir com a consciência serena ao final de cada dia é uma das motivações).
Em realidade a torcida é que um raio despachasse de forma antecipada para o quinto esses estorvos.
Antes eles do que eu.

sábado, 21 de novembro de 2009

Homenagem


1978 foi o ano em que meu pai comprou um Fiat 147 zero quilômetro, modelo 79. Não riam!
Lembro da minha alegria e euforia ao ver meu pai chegando de uma concessionária Fiat na Avenida Nazareth com o carro. A loja nem existe mais, acho.
Naquele final de ano viajamos para Brasília.
Aos oito anos, não controlava minha ansiedade para a viagem começar. Coisa de criança mesmo. Meu pai, minha mãe, meu irmão, eu e ainda dois primos a bordo do ‘possante’.
A rodovia dos Bandeirantes havia sido inaugurada em outubro daquele ano. Era o deleite para um garoto vidrado em túneis, viadutos, rodovias, pontes, elevadores e metrô.
A estrada, novinha em folha, terminava na Anhanguera e lá começavam os trechos em duplicação.
As fotos que fiz quando vim para São Paulo na última viagem (12) foram pensadas neste tema e tem um fundo de saudade e homenagem nisso.
Tanto é que o acesso de Nova Odessa no quilômetro 120 ficou em minha memória na volta de Brasília. Eu explico.
Como disse, a Anhanguera estava em obras e havia uma sequência infindável de desvios, trechos em pista simples, lombadas, placas de sinalização com velocidade máxima de 40 km/h.
Imagine um carro projetado para atingir os 80 km/h facilmente (na época), ter que rodar nessas condições.
Pois bem. Nada do que se vê nas imagens existia. Era muita terra, máquinas pesadas e homens no local.
Ficou na memória toda a escavação feita para abrir o acesso e abrigar um desvio ao lado da construção do segundo viaduto da duplicação.
Meu pai ainda comentou algo sobre a parafernália existente no local quando passamos no que viria a ser mais um acesso entre tantos que levam a rodovia à divisa com Minas Gerais.
Semana que vem completam-se três anos da morte de meu pai.
A alça de acesso, como se vê, foi remodelada com a privatização, a Anhanguera perdeu a pose para a extensão da Bandeirantes e está decadente.
Porém, a lembrança da viagem há 30 anos ficou para sempre aos olhos do menino vislumbrado com tamanha obra de engenharia.
Hoje, sou jornalista, mas ainda passo pela estrada na minha ligação São Paulo-Araraquara.
Nesse lugar, as imagens de 78 vêm à tona e vejo meu pai, dirigindo nosso zero quilômetro. Como se fosse hoje.
Valeu, pai!
Bom final de semana.