- Manchete do caderno Cotidiano da Folha de SPaulo neste primeiro de maio: [http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u728784.shtml]:
Homicídios crescem 23% em São Paulo
ROGÉRIO PAGNAN
AFONSO BENITES
EVANDRO SPINELLI
da Reportagem Local
A cidade de São Paulo está mais violenta. Após nove anos em queda, a capital paulista voltou a enfrentar um aumento do número de homicídios no primeiro trimestre do ano em comparação com o mesmo período de 2009.
O crescimento, de 23%, surpreendeu o governo. No total, foram mortas 376 pessoas nesse período --mais de quatro por dia. Foram 1.224 homicídios em todo o Estado --alta de 7%.
Na tarde de ontem (30), a cúpula da Segurança Pública esteve reunida em torno dos números. Ninguém, porém, apresentou-se para comentá-los. O governo classificou o crescimento como uma oscilação.
No início do ano, José Serra (PSDB), que deixou o governo para disputar a Presidência da República, atribuiu o crescimento dos assassinatos no Estado em 2009 ao desemprego e à crise econômica.
Para o sociólogo José dos Reis Santos Filho, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Violência e Políticas Alternativas da Unesp, os números apontam a necessidade de investigar mais homicídios e mostrar que há punição.
"Talvez o criminoso passe a avaliar que o custo benefício de se cometer um assassinato não valha a pena", avalia.
Já o advogado criminalista Roberto Delmanto Júnior, da Associação Internacional de Direito Penal, vê no aumento dos homicídios um recado para que o governo comece a repensar sua política de Segurança Pública. "Esse aumento é tão expressivo que não dá para atribuí-lo a problemas sociais."
Antes era a crise e o desemprego. Agora é oscilação.
Deixa a oscilação saber disso.
Desgoverno e incompetência mudaram de nome.
Pior que os três repórteres incumbidos da missão jornalística vão ouvir sempre a palavra de um estudioso da violência, sem nunca apresentar uma proposta para o problema. Estudam e não conseguem passar de ano, mas são ouvidos como entidades divinas por esta grande imprensa nauseante.
Mais próximo da realidade é o criminalista, com diversas ressalvas.
E mais fácil ainda é escrever matéria para jornal em cima de números. É o que chamam de jornalismo investigativo [entrei num curso sobre o tema pensando em sair a campo para ouvir pessoas e conhecer novos lugares -o que faço há mais de dez anos-, mas o conceito dos letrados em jornalismo investigativo é outro: debruçar sobre planilhas disponíveis na internet e vomitar reportagens sem nunca ter pisado na periferia ou sentir o cheiro de gente sofrida. Senti-me lesado ao desembolsar 80 reais à época para ficar plantado na frente do computador usando Excel, manipulando números a favor deste ou daquele lado. Escroto, no mínimo].
É muita apalpação para uma questão que precisa de chumbo de encontro: leis mais agressivas, polícias mais bem equipadas e remuneradas, com autonomia para 'derrubar' quem efetivamente enfrente a autoridade constituída.
E claro: prisão perpétua em uma mina de enxofre para presos condenados por crimes bárbaros [estupradores, pedófilos, homicidas, latrocidas e traficantes de drogas] a 500, 600 anos de prisão e pena de morte para criminosos de colarinho branco.
Mahmoud Ahmadinejad [presidente do Irã] é louco ou somos nós os grandes 'bundões' nessa história de país tropical?
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sábado, 1 de maio de 2010
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Notas do dia (segunda, 31/08)
- O articulista da Folha de S.Paulo Ricardo Melo veio ao encontro do que havia postado ontem, sobre a falta de reação do governo estadual paulista sobre a crescente criminalidade no estado. Essa inércia tucana remonta 1994, quando o desaparelhamento da segurança pública começou, seja pela falta de investimentos em equipamentos, reforço em contingente, treinamento das corporações e principalmente na melhoria dos vencimentos dos policiais. Até quando esse descaso e abandono perdurarão? - Em entrevista ao mesmo jornal, um especialista europeu em Direito Penal defende que endurecer as penas não surte efeitos para criminosos leves. Concordo. Mas no Brasil a situação é peculiar e os maus exemplos partem dos legisladores que abrandam e incentivam cada vez mais a bandidagem e também juízes que afrontam o bom senso, nos casos recentes de Palocci e dos habeas corpus assinados em benefício do banqueiro Daniel Dantas. Como disse um ministro do STF ontem na Folha, "a corda sempre estoura para o lado mais fraco". O ditado que diz que cadeia foi feito para os três pês mais uma vez se cobre de razão neste Brasil. E os outro três Pês, Três Poderes, se mostram cada vez mais incompetentes com a coisa pública. Vai mal, muito mal. - Notícia sobre a pirataria chinesa mostra que se copia de tudo: tesouras, biquínis, cadeados, fechaduras, calçados e bebidas. E não são apenas as marcas estrangeiras as vítimas de tamanha semvergonhice. As brasileiras também estão sendo multiplicadas aos milhares. Direitos autorais na China são piada de péssimo gosto. País que sediou os jogos olímpicos, não teve dúvida em substituir a cantora do tema na cerimônia de abertura por uma dublê, pois os organizadores julgaram-na fora dos padrões de beleza exigidos para o evento. Ou seja, era feia. Até isso foi pirateado? - Governo de São Paulo tenta aprovar na Assembléia Legislativa o projeto que terceriza a saúde em todo o estado através da contratação de organizações sociais. Uma iniciativa semelhante foi implantada em algumas cidades e gerou muita discussão, como em Araraquara. Como são 645 municípios paulistas, o projeto cria enorme expectativa. Alguma iniciativa tem que ser tomada, pois não dá mais para suportar o caos na saúde pública. Que venham os especialistas e os contrários para esquentar o debate, mas que haja uma saída para a população de depende do SUS... - Foi inaugurada ontem pela manhã a ciclofaixa na região do Ibirapuera. Tudo pintado, limpo e cheio de festa. Mas como sempre, com uma pitada de desorganização e da falta de educação do brasileiro... ciclovia ficaria melhor, mais funcional e segura. Em Araraquara construíram duas ciclovias. Uma delas próximo ao campus da Unesp e outra, ligando o Vale do Sol ao Jardim Tangará, que ficou muito estranha, principalmente porque avança sobre calçadas e uma ponte. Se é para fazer, que seja bem feito, tanto na capital como no interior! - Empresário de 29 anos atropela e mata catador em Itaquera na madrugada de domingo. O atropelante fugiu em sua BMW e foi cercado pela PM depois que um taxista viu o acidente e seguiu o carro passando as informações aos policiais. Ao ser abordado, o empresário -acompanhado da namorada de 17 anos-, investiu contra os PMs e teve que ser algemado. Aparentava estar bêbado, pagou 1,2 mil reais de fiança e foi posto em liberdade. As leis nesse país sempre acomodam o famoso 'porém'. Por ser empresário e ter dinheiro, comprou sua liberdade. No Paraná tivemos o caso do deputado embriagado que matou duas pessoas. Vai ficar por isso mesmo. Volta a história dos três 'pês'. E ainda o estudioso europeu defende que não adianta punir com severidade. Está faltando é uma pena mais agressiva, sim. O catador de papel perdeu sua vida, o atropelante fugiu, agrediu um policial, mas pagou fiança e foi para casa dormir. Tem que haver pena de morte se for preciso, mas vai servir de exemplo para quem resolver embebedar e matar. Não sei como populares não tentaram o linchamento e incendiaram o carro... Sobe o sangue, desculpem. - Presos armados com pistolas fazem reféns no CDP 1 de Guaulhos durante visita. Essa história eu conheço e vi pelo menos três vezes em rebeliões na Penitenciária e na Febem de Araraquara. Como as armas foram parar lá dentro? Voltamos à lerdeza e falta de coragem do governo paulista que não reage desde 1994. Não precisa explicar mais nada... Saudades do Maluf, Montoro, Quércia e Fleury? Pelo menos tinha polícia na rua e bem paga. Agora, só ao redor da casa do secretário assaltado e do Palácio no Morumbi...
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