1978 foi o ano em que meu pai comprou um Fiat 147 zero quilômetro, modelo 79. Não riam!
Lembro da minha alegria e euforia ao ver meu pai chegando de uma concessionária Fiat na Avenida Nazareth com o carro. A loja nem existe mais, acho.
Naquele final de ano viajamos para Brasília.
Aos oito anos, não controlava minha ansiedade para a viagem começar. Coisa de criança mesmo. Meu pai, minha mãe, meu irmão, eu e ainda dois primos a bordo do ‘possante’.
A rodovia dos Bandeirantes havia sido inaugurada em outubro daquele ano. Era o deleite para um garoto vidrado em túneis, viadutos, rodovias, pontes, elevadores e metrô.
A estrada, novinha em folha, terminava na Anhanguera e lá começavam os trechos em duplicação.
As fotos que fiz quando vim para São Paulo na última viagem (12) foram pensadas neste tema e tem um fundo de saudade e homenagem nisso.
Tanto é que o acesso de Nova Odessa no quilômetro 120 ficou em minha memória na volta de Brasília. Eu explico.
Como disse, a Anhanguera estava em obras e havia uma sequência infindável de desvios, trechos em pista simples, lombadas, placas de sinalização com velocidade máxima de 40 km/h.
Imagine um carro projetado para atingir os 80 km/h facilmente (na época), ter que rodar nessas condições.
Pois bem. Nada do que se vê nas imagens existia. Era muita terra, máquinas pesadas e homens no local.
Ficou na memória toda a escavação feita para abrir o acesso e abrigar um desvio ao lado da construção do segundo viaduto da duplicação.
Meu pai ainda comentou algo sobre a parafernália existente no local quando passamos no que viria a ser mais um acesso entre tantos que levam a rodovia à divisa com Minas Gerais.
Semana que vem completam-se três anos da morte de meu pai.
A alça de acesso, como se vê, foi remodelada com a privatização, a Anhanguera perdeu a pose para a extensão da Bandeirantes e está decadente.
Porém, a lembrança da viagem há 30 anos ficou para sempre aos olhos do menino vislumbrado com tamanha obra de engenharia.
Nesse lugar, as imagens de 78 vêm à tona e vejo meu pai, dirigindo nosso zero quilômetro. Como se fosse hoje.
Valeu, pai!
Bom final de semana.
