Transcrevo abaixo o email enviado ao Painel do Leitor da Folha de SPaulo agora (12h44), sobre um pôster encartado na edição de hoje do jornal:
Pôster da Copa
O Brasil sequer entrou em campo e a Folha, junto aos patrocinadores, imprimem e distribuem o 'pôster' da seleção.
Caricaturas horrorosas de um time sem expressão, comandado por técnico idem.
Brincadeira de mau gosto. Só pode ser.
Tomara que esteja errado, mas não sinto o clima de outras Copas nesta que inicia hoje.
Tudo desestimula acompanhar com mais interesse o que acontece na África do Sul.
O pôster servirá para espantar barata, como dizem os mais antigos.
Lamentável que se queira vender gato por lebre.
A Folha entrou nessa, infelizmente.
Duvido que o publiquem nesta sexta (11), mesmo editado em suas palavras.
Afinal, vai contra os interesses da própria Folha, Itaú, CVC e Extra, que bancaram sua impressão.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Cenas de Araraquara
-Manhã de domingo (30/05), Rua Itália com Avenida Prudente de Moraes:
"Nu bafo"? Cena digna de registro. Mandei para o Macaco Simão da Folha de SPaulo;
- Sexta-feira (28), horário de almoço em um shopping de Araraquara (SP). Que mercadão é esse no meio da praça de alimentação?
E essa limosine?
Ah, sim! Descobri mais tarde num telejornal regional que era uma matéria sobre o mês das noivas e os novos serviços oferecidos. Interessantíssimo!
Mais curioso que se tratava de uma 'exposição' também em Rio Claro e encerraria neste domingo (30). A 'reportagem' encerrava falando o nome dos dois centros comerciais. Curioso...
É o mesmo noticioso que esta semana gastou 1´40" para mostrar a captura de um lobo-guará em São Carlos. Não havia nada mais importante em Araraquara, Rio Claro e nas outras 40 cidades da região cobertas pela afiliada.
-De boca cheia anunciam há um mês a chegada da tv digital nesta segunda (31). Reportagens sobre o sistema de transmissão, possível interatividade, qualidade, aparelhos de tv etc.
Ótimo! Só não mencionaram que o HDTV já está presente na maioria das grandes redes (Cultura, SBT, RedeTv, Record News). Antes tarde do que nunca.
Bom mesmo é o lobo-guará...
- Araraquara é ímpar: possui três shoppings e nenhuma vaga coberta para estacionamento.
Há poucos anos o mesmo centro de compras da morada do sol ainda não dispunha de câmeras de vigilância, até ser vítima de uma tentativa de assalto na madrugada e um roubo consumado a uma joalheria em pleno horário comercial. Há um ditado sobre porteira arrombada e cadeado, não há?
"Nu bafo"? Cena digna de registro. Mandei para o Macaco Simão da Folha de SPaulo;
- Sexta-feira (28), horário de almoço em um shopping de Araraquara (SP). Que mercadão é esse no meio da praça de alimentação?
E essa limosine?
Ah, sim! Descobri mais tarde num telejornal regional que era uma matéria sobre o mês das noivas e os novos serviços oferecidos. Interessantíssimo!
Mais curioso que se tratava de uma 'exposição' também em Rio Claro e encerraria neste domingo (30). A 'reportagem' encerrava falando o nome dos dois centros comerciais. Curioso...
É o mesmo noticioso que esta semana gastou 1´40" para mostrar a captura de um lobo-guará em São Carlos. Não havia nada mais importante em Araraquara, Rio Claro e nas outras 40 cidades da região cobertas pela afiliada.
-De boca cheia anunciam há um mês a chegada da tv digital nesta segunda (31). Reportagens sobre o sistema de transmissão, possível interatividade, qualidade, aparelhos de tv etc.
Ótimo! Só não mencionaram que o HDTV já está presente na maioria das grandes redes (Cultura, SBT, RedeTv, Record News). Antes tarde do que nunca.
Bom mesmo é o lobo-guará...
- Araraquara é ímpar: possui três shoppings e nenhuma vaga coberta para estacionamento.
Há poucos anos o mesmo centro de compras da morada do sol ainda não dispunha de câmeras de vigilância, até ser vítima de uma tentativa de assalto na madrugada e um roubo consumado a uma joalheria em pleno horário comercial. Há um ditado sobre porteira arrombada e cadeado, não há?
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Posicionamento dos jornais
Logo abaixo estão uma carta publicada no Painel do Leitor da Folha de SPaulo deste 11/05/2010 e a causa do comentário perspicaz, publicado pela ombudsman Suzana Singer, empossada no cargo em abril deste ano:
Imprensa
"A Folha e "O Estado de S. Paulo" ainda mantêm uma linha editorial retrógrada e ultrapassada, como se a população de São Paulo fosse hoje como era há 60 anos, composta por pessoas mais cultas.
Hoje, infelizmente, 80% da população é semianalfabeta -e não gosta de ler. Mas ambos os jornais continuam usando colunistas para omitir opiniões tendenciosas, que não esclarecem nada. E o povão não está nem aí para ler reportagens ou análises.
Que os diretores das redações leiam e releiam o que escreveu a senhora Suzana Singer, ombudsman da Folha, sobre o que foi exposto acima. Parabéns a Suzana Singer pelo puxão de orelhas dado."
FRANCISCO DE ALMEIDA FERRAZ (São José dos Campos, SP)
SUZANA SINGER
ombudsman@uol.com.br
Menos opinião, mais informação
Para se diferenciar da informação ligeira da internet, a Folha está investindo em textos que contextualizem a notícia, mas falta distinguir melhor análise de opinião
A Folha tem 99 colunistas. Em comparação com os concorrentes nacionais e com vários jornais do exterior, ganha de todos em número de colunas por espaço editorial. É, provavelmente, recordista mundial em "colunismo".
Desde o ano passado, o jornal vem formando um novo time, desta vez de analistas. São 128 especialistas, incluindo alguns jornalistas da casa, convidados a escrever pequenos textos que devem contextualizar a notícia do dia anterior.
A iniciativa, louvável, é uma das formas que o jornal encontra de se diferenciar da informação bruta, seca e ligeira da internet.
É um meio também de enriquecer o noticiário sem contaminar a reportagem: o jornalista descreve, da forma mais neutra possível, o que aconteceu e, ao lado, outra pessoa tenta inserir o fato em um cenário maior.
Para deixar clara a diferença entre o que é notícia e o que não é, a Folha usa vinhetas de "análise", "artigo", "opinião" e "depoimento". São palavras azuis acima dos títulos.
Nos últimos dias, porém, vendeu-se gato por lebre. Textos opinativos apareceram travestidos de análise. A diferença, às vezes tênue, é importante. Em 29 de abril, Dinheiro publicou que "é hora de reverter os estímulos dados para que o crescimento se acomode em patamar mais sustentável, evitando que a festa de consumo, investimento e gastos do governo de hoje se transforme em ressaca inflacionária mais à frente". A frase, que parece declaração do presidente do Banco Central, fecha um desses textos editados como "análise".
No dia seguinte, outro artigo, em Brasil, dizia que, na validação da Lei de Anistia pelo Supremo Tribunal Federal, "prevaleceu o medo atávico de enfrentar vergonhas do passado". Mais uma vez, a identificação que aparecia era "análise".
Há uma semana, foi a vez de Mundo de editar um texto "analítico" ao lado de uma longa entrevista com o presidente da Venezuela. Nele, o autor afirmava que Hugo Chávez é o "campeão" da "enrolação" e que é "mais idolatrado do que Cristo num culto evangélico" nos meios de comunicação oficiais.
A confusão ocorre, em geral, quando há um suposto consenso sobre o assunto focado: parece unânime que a inflação deve ser combatida com juros, que seria melhor julgar torturadores e que Hugo Chávez odeia a liberdade de imprensa. É tão "óbvio" que nem parece opinião.
Um comunicado da Secretaria de Redação, divulgado nesta semana, define os requisitos que uma análise deve ter: histórico do acontecimento focado, suas consequências e implicações, o ambiente em que o fato se deu, os beneficiados e prejudicados, os desdobramentos práticos e, quando possível, diferentes interpretações da notícia.
Já nos textos opinativos, o autor toma partido, argumenta, defende medidas e tenta convencer o leitor. É o que fazem os 99 colunistas, escolhidos justamente por terem convicções fortes. A Folha não precisa de mais opinião em suas páginas. Mais informação, em formato de análise, é sempre bem-vinda.
PIMENTA EM MANCHETE
Na terça-feira, a Folha manchetou: "Governo quer estimular portador de HIV a ter filho". O que se entende é que o governo pretende incentivar soropositivos a engravidar, certo? Não era isso que dizia a reportagem.
O texto dizia que o Ministério da Saúde discute um documento que orientará os portadores de HIV que queiram ter filhos a fazer sexo sem camisinha, mas da forma menos arriscada possível (em datas e condições clínicas específicas).
É um tema polêmico, porque a Organização Mundial da Saúde indica apenas inseminação artificial nesses casos.
Mais próximo da realidade era o título interno: "Governo defende reprodução planejada de soropositivos".
A Secretaria de Redação não concorda que a manchete estava errada. Afirma que "o conjunto de orientações do Ministério da Saúde configura um estímulo à reprodução".
Acho que a Folha decidiu, sem precisar, colocar mais pimenta num assunto já picante.
IRRITANDO CORINTIANOS
Vários leitores escreveram reclamando de "brincadeiras" da Folha com corintianos. Na quinta-feira, na capa de Esporte, foi publicada uma foto de um torcedor arrasado, com os dizeres "sem ter nada", um trocadilho com "centenário" que o clube comemora neste ano.
Na Folha Online, uma "reportagem" elencava brincadeiras e piadas que circulam na rede desde a derrota do Corinthians. Pra que irritar o leitor?
Imprensa
"A Folha e "O Estado de S. Paulo" ainda mantêm uma linha editorial retrógrada e ultrapassada, como se a população de São Paulo fosse hoje como era há 60 anos, composta por pessoas mais cultas.
Hoje, infelizmente, 80% da população é semianalfabeta -e não gosta de ler. Mas ambos os jornais continuam usando colunistas para omitir opiniões tendenciosas, que não esclarecem nada. E o povão não está nem aí para ler reportagens ou análises.
Que os diretores das redações leiam e releiam o que escreveu a senhora Suzana Singer, ombudsman da Folha, sobre o que foi exposto acima. Parabéns a Suzana Singer pelo puxão de orelhas dado."
FRANCISCO DE ALMEIDA FERRAZ (São José dos Campos, SP)
SUZANA SINGER
ombudsman@uol.com.br
Menos opinião, mais informação
Para se diferenciar da informação ligeira da internet, a Folha está investindo em textos que contextualizem a notícia, mas falta distinguir melhor análise de opinião
A Folha tem 99 colunistas. Em comparação com os concorrentes nacionais e com vários jornais do exterior, ganha de todos em número de colunas por espaço editorial. É, provavelmente, recordista mundial em "colunismo".
Desde o ano passado, o jornal vem formando um novo time, desta vez de analistas. São 128 especialistas, incluindo alguns jornalistas da casa, convidados a escrever pequenos textos que devem contextualizar a notícia do dia anterior.
A iniciativa, louvável, é uma das formas que o jornal encontra de se diferenciar da informação bruta, seca e ligeira da internet.
É um meio também de enriquecer o noticiário sem contaminar a reportagem: o jornalista descreve, da forma mais neutra possível, o que aconteceu e, ao lado, outra pessoa tenta inserir o fato em um cenário maior.
Para deixar clara a diferença entre o que é notícia e o que não é, a Folha usa vinhetas de "análise", "artigo", "opinião" e "depoimento". São palavras azuis acima dos títulos.
Nos últimos dias, porém, vendeu-se gato por lebre. Textos opinativos apareceram travestidos de análise. A diferença, às vezes tênue, é importante. Em 29 de abril, Dinheiro publicou que "é hora de reverter os estímulos dados para que o crescimento se acomode em patamar mais sustentável, evitando que a festa de consumo, investimento e gastos do governo de hoje se transforme em ressaca inflacionária mais à frente". A frase, que parece declaração do presidente do Banco Central, fecha um desses textos editados como "análise".
No dia seguinte, outro artigo, em Brasil, dizia que, na validação da Lei de Anistia pelo Supremo Tribunal Federal, "prevaleceu o medo atávico de enfrentar vergonhas do passado". Mais uma vez, a identificação que aparecia era "análise".
Há uma semana, foi a vez de Mundo de editar um texto "analítico" ao lado de uma longa entrevista com o presidente da Venezuela. Nele, o autor afirmava que Hugo Chávez é o "campeão" da "enrolação" e que é "mais idolatrado do que Cristo num culto evangélico" nos meios de comunicação oficiais.
A confusão ocorre, em geral, quando há um suposto consenso sobre o assunto focado: parece unânime que a inflação deve ser combatida com juros, que seria melhor julgar torturadores e que Hugo Chávez odeia a liberdade de imprensa. É tão "óbvio" que nem parece opinião.
Um comunicado da Secretaria de Redação, divulgado nesta semana, define os requisitos que uma análise deve ter: histórico do acontecimento focado, suas consequências e implicações, o ambiente em que o fato se deu, os beneficiados e prejudicados, os desdobramentos práticos e, quando possível, diferentes interpretações da notícia.
Já nos textos opinativos, o autor toma partido, argumenta, defende medidas e tenta convencer o leitor. É o que fazem os 99 colunistas, escolhidos justamente por terem convicções fortes. A Folha não precisa de mais opinião em suas páginas. Mais informação, em formato de análise, é sempre bem-vinda.
PIMENTA EM MANCHETE
Na terça-feira, a Folha manchetou: "Governo quer estimular portador de HIV a ter filho". O que se entende é que o governo pretende incentivar soropositivos a engravidar, certo? Não era isso que dizia a reportagem.
O texto dizia que o Ministério da Saúde discute um documento que orientará os portadores de HIV que queiram ter filhos a fazer sexo sem camisinha, mas da forma menos arriscada possível (em datas e condições clínicas específicas).
É um tema polêmico, porque a Organização Mundial da Saúde indica apenas inseminação artificial nesses casos.
Mais próximo da realidade era o título interno: "Governo defende reprodução planejada de soropositivos".
A Secretaria de Redação não concorda que a manchete estava errada. Afirma que "o conjunto de orientações do Ministério da Saúde configura um estímulo à reprodução".
Acho que a Folha decidiu, sem precisar, colocar mais pimenta num assunto já picante.
IRRITANDO CORINTIANOS
Vários leitores escreveram reclamando de "brincadeiras" da Folha com corintianos. Na quinta-feira, na capa de Esporte, foi publicada uma foto de um torcedor arrasado, com os dizeres "sem ter nada", um trocadilho com "centenário" que o clube comemora neste ano.
Na Folha Online, uma "reportagem" elencava brincadeiras e piadas que circulam na rede desde a derrota do Corinthians. Pra que irritar o leitor?
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Rápidas & Ácidas
- A semana terminou com destaque para esta opinião publicada no Painel do Leitor da Folha de SPaulo em 8 de abril:
Campanhas
"No editorial "Chega de saudade", a Folha diz que Dilma Rousseff "erra ao voltar-se para o passado". Mas, em contradição explícita, conclui que o governo Lula teve méritos inegáveis, "muitos deles, é forçoso reconhecer, nasceram de sementes plantadas no passado".
Então, passados são assim: o da Dilma irrita a Folha; o da Folha agrada o Serra. Diante disso, seria mais elegante que o jornal assumisse, editorialmente, seu apoio à candidatura de oposição."
LÚCIO FLÁVIO V. LIMA (Brasília, DF)
Para quem não leu ou não teve a oportunidade de tomar conhecimento do tal editorial publicado em 7 de abril, aqui está:
Chega de saudade
A candidata oficial erra ao voltar-se para o passado com o intuito de forjar uma revanche na disputa particular de FHC e Lula
EM SEU PRIMEIRO discurso depois de deixar a Casa Civil, a candidata Dilma Rousseff insistiu na tentativa de comparar o atual governo com o anterior.
Não se sabe o que pesa mais nessa estratégia enviesada, se a obsessão íntima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de se medir com o antecessor Fernando Henrique Cardoso ou a percepção de que é mais vantajoso para a representante da situação transformar eleições que decidem o futuro do país em avaliação de fatos passados.
Não é demais lembrar que um brasileiro com 18 anos completados em 2010 comemorava 10 ao término do governo FHC -e era uma criança de dois anos quando o sociólogo tucano assumiu.
Esse hipotético cidadão não terá idade para lembrar em que país se vivia no início da década de 90. Mas, se procurar informações, saberá que coube a FHC, na sequência do impeachment de Fernando Collor, e ainda no governo de Itamar Franco, lançar um plano -depois de várias tentativas frustradas- capaz de superar o perverso ciclo hiperinflacionário que havia anos dilapidava a economia popular e impedia o desenvolvimento do país.
Se pretende incursionar pelo passado, poderia a candidata lembrar a seus potenciais eleitores que o Partido dos Trabalhadores negou sustentação ao presidente Itamar Franco e bombardeou o Plano Real. Ou seja, opôs-se de maneira pueril e ideológica a uma das mais notáveis conquistas econômicas da história moderna do país, que propiciou aos brasileiros pobres benefícios inestimáveis, sob a forma de imediato aumento do poder aquisitivo e inédito acesso ao sistema bancário.
Sabe bem a ex-ministra que se alguém nesses anos mudou de pele foi antes o PT do que o PSDB. O que terá sido a famosa "Carta aos Brasileiros" senão uma providencial e pública troca de vestimenta ideológica do candidato Lula -que, eleito, sob aplausos do mundo financeiro, indicou um tucano para o Banco Central (agora no PMDB) e um ex-trotskista com plumagem neoliberal para a Fazenda?
É um exercício vão buscar comparações e escolhas plebiscitárias entre gestões que se encadeiam no tempo. Os avanços e problemas de uma transformam-se em acúmulo ou em fatos acabados na outra. Ou será que faz sentido questionar como teria sido a gestão lulista se tivesse de formular um plano para vencer a hiperinflação, precisasse sanear instituições financeiras públicas e se visse obrigada a estancar uma crise sistêmica dos bancos privados nacionais?
O Brasil precisa pensar e agir com olhos no futuro. Nada tem a ganhar com a tentativa da candidatura governista de forjar uma revanche de disputas pretéritas. Se o presidente Lula não venceu a contenda com Fernando Henrique Cardoso em 1994 não será agora que o fará -pelo simples motivo de que nenhum dos dois é candidato. O governo que se encerra neste ano teve méritos inegáveis, mas muitos deles, é forçoso reconhecer, nasceram de sementes plantadas no passado.
Interessante observar que abaixo da manifestação do leitor em 8 de abril, há a seguinte opinião:
Papel
"Em nome das empresas de celulose e papel, cumprimento a Folha pela iniciativa de utilizar, na produção do jornal, papel originado de projetos certificados de manejo florestal ou de reciclagem ("Impressão sustentável avança em jornais", Dinheiro, 27/3).
É gratificante acompanhar a adoção crescente pelos veículos de comunicação impressa de aspectos da sustentabilidade do papel. A iniciativa responde aos anseios da sociedade, cada vez mais consciente a respeito do papel dos indivíduos e das organizações na preservação do meio ambiente, e demonstra o compromisso da Folha com o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente.
Ressaltamos também a importância de divulgar aos leitores, com clareza e transparência, informações sobre a impressão sustentável.
O Brasil é referência mundial nessa área, e estamos empenhados em mostrar esse diferencial aos brasileiros."
HORACIO LAFER PIVA , presidente do conselho deliberativo da Bracelpa -Associação Brasileira de Celulose e Papel (São Paulo, SP)
Outro dia havia blogado sobre um 'inocente' almoço na Folha, em que participaram representantes de uma construtora, uma petroquímica e diretores do jornal.
Coincidentemente, a associação que está à frente dos fornecedores de papel para jornais impressos se manifesta assim, sem querer querendo, dias após o almoço?
E mais: o Estadão passou por uma nova reformulação desde 2004.
A Folha havia anunciado a sua repaginação para maio, um pouco antes dos Mesquita soltar a sua em intervalo de poucos dias. Disputa por leitores, pura e simples? Que interessante...
A grande imprensa está (supostamente) alinhada com um dos pré-candidatos à Presidência?
Façam isso de forma assumida e objetiva! Defendam abertamente seus interesses! Há algo para esconder nestes interesses?
Campanhas
"No editorial "Chega de saudade", a Folha diz que Dilma Rousseff "erra ao voltar-se para o passado". Mas, em contradição explícita, conclui que o governo Lula teve méritos inegáveis, "muitos deles, é forçoso reconhecer, nasceram de sementes plantadas no passado".
Então, passados são assim: o da Dilma irrita a Folha; o da Folha agrada o Serra. Diante disso, seria mais elegante que o jornal assumisse, editorialmente, seu apoio à candidatura de oposição."
LÚCIO FLÁVIO V. LIMA (Brasília, DF)
Para quem não leu ou não teve a oportunidade de tomar conhecimento do tal editorial publicado em 7 de abril, aqui está:
Chega de saudade
A candidata oficial erra ao voltar-se para o passado com o intuito de forjar uma revanche na disputa particular de FHC e Lula
EM SEU PRIMEIRO discurso depois de deixar a Casa Civil, a candidata Dilma Rousseff insistiu na tentativa de comparar o atual governo com o anterior.
Não se sabe o que pesa mais nessa estratégia enviesada, se a obsessão íntima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de se medir com o antecessor Fernando Henrique Cardoso ou a percepção de que é mais vantajoso para a representante da situação transformar eleições que decidem o futuro do país em avaliação de fatos passados.
Não é demais lembrar que um brasileiro com 18 anos completados em 2010 comemorava 10 ao término do governo FHC -e era uma criança de dois anos quando o sociólogo tucano assumiu.
Esse hipotético cidadão não terá idade para lembrar em que país se vivia no início da década de 90. Mas, se procurar informações, saberá que coube a FHC, na sequência do impeachment de Fernando Collor, e ainda no governo de Itamar Franco, lançar um plano -depois de várias tentativas frustradas- capaz de superar o perverso ciclo hiperinflacionário que havia anos dilapidava a economia popular e impedia o desenvolvimento do país.
Se pretende incursionar pelo passado, poderia a candidata lembrar a seus potenciais eleitores que o Partido dos Trabalhadores negou sustentação ao presidente Itamar Franco e bombardeou o Plano Real. Ou seja, opôs-se de maneira pueril e ideológica a uma das mais notáveis conquistas econômicas da história moderna do país, que propiciou aos brasileiros pobres benefícios inestimáveis, sob a forma de imediato aumento do poder aquisitivo e inédito acesso ao sistema bancário.
Sabe bem a ex-ministra que se alguém nesses anos mudou de pele foi antes o PT do que o PSDB. O que terá sido a famosa "Carta aos Brasileiros" senão uma providencial e pública troca de vestimenta ideológica do candidato Lula -que, eleito, sob aplausos do mundo financeiro, indicou um tucano para o Banco Central (agora no PMDB) e um ex-trotskista com plumagem neoliberal para a Fazenda?
É um exercício vão buscar comparações e escolhas plebiscitárias entre gestões que se encadeiam no tempo. Os avanços e problemas de uma transformam-se em acúmulo ou em fatos acabados na outra. Ou será que faz sentido questionar como teria sido a gestão lulista se tivesse de formular um plano para vencer a hiperinflação, precisasse sanear instituições financeiras públicas e se visse obrigada a estancar uma crise sistêmica dos bancos privados nacionais?
O Brasil precisa pensar e agir com olhos no futuro. Nada tem a ganhar com a tentativa da candidatura governista de forjar uma revanche de disputas pretéritas. Se o presidente Lula não venceu a contenda com Fernando Henrique Cardoso em 1994 não será agora que o fará -pelo simples motivo de que nenhum dos dois é candidato. O governo que se encerra neste ano teve méritos inegáveis, mas muitos deles, é forçoso reconhecer, nasceram de sementes plantadas no passado.
Interessante observar que abaixo da manifestação do leitor em 8 de abril, há a seguinte opinião:
Papel
"Em nome das empresas de celulose e papel, cumprimento a Folha pela iniciativa de utilizar, na produção do jornal, papel originado de projetos certificados de manejo florestal ou de reciclagem ("Impressão sustentável avança em jornais", Dinheiro, 27/3).
É gratificante acompanhar a adoção crescente pelos veículos de comunicação impressa de aspectos da sustentabilidade do papel. A iniciativa responde aos anseios da sociedade, cada vez mais consciente a respeito do papel dos indivíduos e das organizações na preservação do meio ambiente, e demonstra o compromisso da Folha com o desenvolvimento sustentável e a preservação do meio ambiente.
Ressaltamos também a importância de divulgar aos leitores, com clareza e transparência, informações sobre a impressão sustentável.
O Brasil é referência mundial nessa área, e estamos empenhados em mostrar esse diferencial aos brasileiros."
HORACIO LAFER PIVA , presidente do conselho deliberativo da Bracelpa -Associação Brasileira de Celulose e Papel (São Paulo, SP)
Outro dia havia blogado sobre um 'inocente' almoço na Folha, em que participaram representantes de uma construtora, uma petroquímica e diretores do jornal.
Coincidentemente, a associação que está à frente dos fornecedores de papel para jornais impressos se manifesta assim, sem querer querendo, dias após o almoço?
E mais: o Estadão passou por uma nova reformulação desde 2004.
A Folha havia anunciado a sua repaginação para maio, um pouco antes dos Mesquita soltar a sua em intervalo de poucos dias. Disputa por leitores, pura e simples? Que interessante...
A grande imprensa está (supostamente) alinhada com um dos pré-candidatos à Presidência?
Façam isso de forma assumida e objetiva! Defendam abertamente seus interesses! Há algo para esconder nestes interesses?
domingo, 11 de abril de 2010
Sushi
Sushi faz bem.
Matéria publicada na Folha de SPaulo, em 09/0/2009, na página Ciência:
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL
A alga marinha que envolve o sushi pode ser igualmente saborosa para um japonês ou um ocidental. Mas o nipônico vai retirar muito mais nutrição dela do que qualquer outro ser humano. Centenas de anos de consumo de algas marinhas alteraram o organismo dos japoneses a ponto de facilitar a digestão desse ingrediente.
As responsáveis foram agora identificadas por uma equipe de pesquisadores na França: bactérias do intestino que adquiriram genes comuns em suas primas que vivem nos oceanos. Os genes são a receita para a produção de enzimas que facilitam a digestão das algas pelas bactérias -no mar ou na barriga de um japonês.
Os trilhões de bactérias presentes no intestino são os amigos mais próximos e mais úteis dos seres humanos. Como lembra o grupo de Mirjam Czjzek, da Universidade de Paris 6, em um artigo na edição de hoje da revista científica "Nature", esses micróbios suprem seus hospedeiros com energia ao usar enzimas que estes não fabricam para quebrar alimentos.
Evolução conjunta
Bactérias intestinais e humanos têm evoluído juntos, em benefício mútuo. Uma estratégia de sucesso no ecossistema do intestino é se tornar proficiente em usar os nutrientes que o hospedeiro consome.
Foi o que fez uma bactéria "esperta", a Bacteroides plebeius. Ela adquiriu genes para digerir as algas marinhas do gênero Porphyra. Nenhuma outra bactéria do mesmo gênero consegue fazer isso.
Os cientistas concluíram que a Bacteroides plebeius obteve os genes por "transferência lateral" -o empréstimo um trecho de DNA adquirido diretamente- de bactérias marinhas presentes nas algas.
O resultado é um elegante exemplo da importância de hábitos culturais na evolução biológica. As bactérias se adaptaram ao ambiente intestinal repleto de uma fonte nova de alimento. E tinha que ser no Japão. Registros indicam que as algas já eram usadas ali no século 8º. E o japonês de hoje consome 14 gramas de algas por dia, um recorde mundial.
Matéria publicada na Folha de SPaulo, em 09/0/2009, na página Ciência:
Bactéria ajuda japonês a digerir sushi melhor do que ocidental
Micróbio em estômago de nipônicos permite extrair mais nutrientes de alga
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL
Cia. Oriental, Liberdade, SP (18/02/10)
A alga marinha que envolve o sushi pode ser igualmente saborosa para um japonês ou um ocidental. Mas o nipônico vai retirar muito mais nutrição dela do que qualquer outro ser humano. Centenas de anos de consumo de algas marinhas alteraram o organismo dos japoneses a ponto de facilitar a digestão desse ingrediente.
As responsáveis foram agora identificadas por uma equipe de pesquisadores na França: bactérias do intestino que adquiriram genes comuns em suas primas que vivem nos oceanos. Os genes são a receita para a produção de enzimas que facilitam a digestão das algas pelas bactérias -no mar ou na barriga de um japonês.
Os trilhões de bactérias presentes no intestino são os amigos mais próximos e mais úteis dos seres humanos. Como lembra o grupo de Mirjam Czjzek, da Universidade de Paris 6, em um artigo na edição de hoje da revista científica "Nature", esses micróbios suprem seus hospedeiros com energia ao usar enzimas que estes não fabricam para quebrar alimentos.
Evolução conjunta
Bactérias intestinais e humanos têm evoluído juntos, em benefício mútuo. Uma estratégia de sucesso no ecossistema do intestino é se tornar proficiente em usar os nutrientes que o hospedeiro consome.
Foi o que fez uma bactéria "esperta", a Bacteroides plebeius. Ela adquiriu genes para digerir as algas marinhas do gênero Porphyra. Nenhuma outra bactéria do mesmo gênero consegue fazer isso.
Os cientistas concluíram que a Bacteroides plebeius obteve os genes por "transferência lateral" -o empréstimo um trecho de DNA adquirido diretamente- de bactérias marinhas presentes nas algas.
O resultado é um elegante exemplo da importância de hábitos culturais na evolução biológica. As bactérias se adaptaram ao ambiente intestinal repleto de uma fonte nova de alimento. E tinha que ser no Japão. Registros indicam que as algas já eram usadas ali no século 8º. E o japonês de hoje consome 14 gramas de algas por dia, um recorde mundial.
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Rápidas & Ácidas
Revista Veja:
- No início deste 2010, uma extensa reportagem com o 'Perfil' de José Serra, com fotografia posada e tudo mais.
Esta semana, nas páginas amarelas, entrevista com Aécio Neves e uma matéria sobre as eleições: 'O tucano [José Serra] alça voo'.
Faltou explicar que antes de alçar o tal 'voo' precisava ter construído e sinalizado por completo as obras do Rodoanel sul e da Marginal do Tietê, além das prometidas estações de metrô paulistano que estouraram os prazos.
Parece aquela criança mimada que deixa todos brinquedos no chão da sala ao saber que vai passear com os pais.
Ainda tem quem acha o máximo criar opinião lendo Veja e Estado.
Além disso, muitos estudantes de jornalismo postam na imagem desses dois péssimos exemplos o sonho de se trabalhar em um jornal.
-Quinta-feira, 1o de abril, Folha de SPaulo, coluna Painel de Renata Lo Prete, no caderno Brasil:
Visita à Folha. Marcelo Odebrecht, diretor-presidente da Odebrecht S.A., visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava com Marcos Wilson, diretor de Relações Institucionais da Odebrecht S.A., e Marcelo Lyra, diretor de Relações Institucionais da Braskem S.A.
Construtoras, bancos, petroquímicas e grandes grupos de comunicação: todos suspostamente em um ingênuo almoço, a poucos meses da eleição...
Todos prestes a decolar no voo tucano?
Quem explica os 240 milhões de reais previstos para se gastar na campanha de cada um dos principais candidatos?
- Justifico meu voto e durmo tranquilo.
- Charge publicada hoje (05/04) no caderno Ilustrada da Folha:
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Timing e pesadelo
Uma das manchetes da Folha de SPaulo deste domingo (28/2):
Dilma cresce e já encosta em Serra
Datafolha dos dias 24 e 25 de fevereiro com 2623 pessoas em todo o país revela:
Serra(PSDB) 32%; Dilma(PT) 28%; Ciro (PSB)12%; Marina(PV) 8%;
-Já havia comentado aqui sobre a indecisão dos tucanos em apresentar seu candidato à Presidência (Serra ou Aécio).
- O timing (oportunidade, sensibilidade, sincronismo) de Serra, passou. Custará caro novamente ao PSDB. Foi assim em 2002 e em 2006 (Alckmin). É marca registrada do partido: ficar em cima do muro e tomar decisões tardias, igual ao filme Titanic, onde um dos botes salva-vidas titubeia em se aproximar dos náufragos e mais tarde muda da ideia para resgatá-los. Too late (tarde demais).
- O tucanato e os demos preferiram ficar na grita de campanha eleitoral antecipada e também tiveram que engolir um enorme 'não' do Tribunal Superior Eleitoral.
- Um dos fatores que pode ter impulsionado a subida de Dilma foi a repercussão negativa dos democratas envolvidos no escândalo do mensalão em Brasília e a prisão do governador José Roberto Arruda. O DEM é o antigo PFL, aliado de longos tempos do PSDB.
- Em São Paulo, especificamente, as enchentes e a inércia de Serra governador e Kassab prefeito [lembre-se que Serra foi eleito prefeito da capital com Kassab vice, enquanto Alckmin estava no Palácio dos Bandeirantes em 2005] para tomar decisões imediatas diante das tragédias também podem ter contribuído com o arranhão da imagem apontada nos números.
- Enquanto democratas e tucanos esquentam a moringa, Ciro ainda guarda na manga suas cartas e negocia posições junto a Lula.
- Marina Silva (PV), discretamente, marca sua presença pelos estados e pode ser uma grande surpresa. À la Heloísa Helena (PSOL), quem sabe...
Dilma cresce e já encosta em Serra
Datafolha dos dias 24 e 25 de fevereiro com 2623 pessoas em todo o país revela:
Serra(PSDB) 32%; Dilma(PT) 28%; Ciro (PSB)12%; Marina(PV) 8%;
-Já havia comentado aqui sobre a indecisão dos tucanos em apresentar seu candidato à Presidência (Serra ou Aécio).
- O timing (oportunidade, sensibilidade, sincronismo) de Serra, passou. Custará caro novamente ao PSDB. Foi assim em 2002 e em 2006 (Alckmin). É marca registrada do partido: ficar em cima do muro e tomar decisões tardias, igual ao filme Titanic, onde um dos botes salva-vidas titubeia em se aproximar dos náufragos e mais tarde muda da ideia para resgatá-los. Too late (tarde demais).
- O tucanato e os demos preferiram ficar na grita de campanha eleitoral antecipada e também tiveram que engolir um enorme 'não' do Tribunal Superior Eleitoral.
- Um dos fatores que pode ter impulsionado a subida de Dilma foi a repercussão negativa dos democratas envolvidos no escândalo do mensalão em Brasília e a prisão do governador José Roberto Arruda. O DEM é o antigo PFL, aliado de longos tempos do PSDB.
- Em São Paulo, especificamente, as enchentes e a inércia de Serra governador e Kassab prefeito [lembre-se que Serra foi eleito prefeito da capital com Kassab vice, enquanto Alckmin estava no Palácio dos Bandeirantes em 2005] para tomar decisões imediatas diante das tragédias também podem ter contribuído com o arranhão da imagem apontada nos números.
- Enquanto democratas e tucanos esquentam a moringa, Ciro ainda guarda na manga suas cartas e negocia posições junto a Lula.
- Marina Silva (PV), discretamente, marca sua presença pelos estados e pode ser uma grande surpresa. À la Heloísa Helena (PSOL), quem sabe...
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O peru e o galo
Macaco Simão foi certeiro em sua coluna neste dia 24: "A humanidade é incoerente: mata o perú e reza para o galo".
Vai entender. Feliz Natal!
Vai entender. Feliz Natal!
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segunda-feira, 30 de novembro de 2009
O que pensa o paulista
Transcrevo uma manifestação publicada no Painel do Leitor deste domingo (29/11) no jornal Folha de S.Paulo.
É uma rápida avaliação do paulista, em sua maioria, sobre o governo que alardeia ‘trabalhar por você’:
Serra
"Segundo notícia publicada no dia 27/11, o governador José Serra (PSDB) viajou para o Estado do Ceará para realizar uma "palestra".
Como não há problemas graves no Estado de São Paulo e a população vive em paz e na mais completa segurança, acredito que o governador tenha encontrado espaço em sua agenda para discorrer aos cearenses sobre algumas matérias.
Entre elas podemos destacar: "Como promessa não é dívida". É perfeitamente possível abandonar a prefeitura de uma grande cidade após ser eleito, mesmo tendo assumido por escrito o compromisso de cumprir integralmente o seu mandato, sem que isso interfira no seu prestígio, ou produza algum ônus político para sua trajetória sonhada rumo ao Palácio do Planalto.
"Como acelerar obras em ano eleitoral." Mesmo ao custo da queda de algumas vigas do trecho sul do Rodoanel, afirmando que "tudo será devidamente apurado e os responsáveis penalizados".
E, para encerrar a brilhante exposição, o governador poderia demonstrar: "Como rezar e pedir a Deus o afastamento ou abrandamento das manifestações climáticas", no intuito de atenuar os efeitos sobre a população. Na volta, poderia aproveitar a ocasião e explicar ao povo de São Paulo como viajou, quantos foram em sua comitiva, o custo, e como será pago essa viagem. Já que o slogan dessa gestão é: "Governo de São Paulo, trabalhando por você"."
ROBERTO GONÇALVES SIQUEIRA (São Paulo, SP)
É uma rápida avaliação do paulista, em sua maioria, sobre o governo que alardeia ‘trabalhar por você’:
Serra
"Segundo notícia publicada no dia 27/11, o governador José Serra (PSDB) viajou para o Estado do Ceará para realizar uma "palestra".
Como não há problemas graves no Estado de São Paulo e a população vive em paz e na mais completa segurança, acredito que o governador tenha encontrado espaço em sua agenda para discorrer aos cearenses sobre algumas matérias.
Entre elas podemos destacar: "Como promessa não é dívida". É perfeitamente possível abandonar a prefeitura de uma grande cidade após ser eleito, mesmo tendo assumido por escrito o compromisso de cumprir integralmente o seu mandato, sem que isso interfira no seu prestígio, ou produza algum ônus político para sua trajetória sonhada rumo ao Palácio do Planalto.
"Como acelerar obras em ano eleitoral." Mesmo ao custo da queda de algumas vigas do trecho sul do Rodoanel, afirmando que "tudo será devidamente apurado e os responsáveis penalizados".
E, para encerrar a brilhante exposição, o governador poderia demonstrar: "Como rezar e pedir a Deus o afastamento ou abrandamento das manifestações climáticas", no intuito de atenuar os efeitos sobre a população. Na volta, poderia aproveitar a ocasião e explicar ao povo de São Paulo como viajou, quantos foram em sua comitiva, o custo, e como será pago essa viagem. Já que o slogan dessa gestão é: "Governo de São Paulo, trabalhando por você"."
ROBERTO GONÇALVES SIQUEIRA (São Paulo, SP)
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Cupim incolor!
Ops! O cupim é incolor, invisível ou transparente?
Cupim cru (cuidado repetir cru várias vezes!), no ponto, mal passado ou bem assado?
- Outro dia no caderno Cotidiano da Folha de S.Paulo, a manchete: “Corte em obra cortará x árvores”.
No texto da matéria: “Optou-se pela opção...”. Isso é pressa por conta do deadline (fechamento do jornal). O texto vai embora sem muita revisão e dá nisso. No rádio é pior: é ao vivo.
- Há três semanas, acompanhava minha mãe em um laboratório de análises clínicas. A enfermeira perguntou se ela iria fazer exame de sangue, solicitando os papéis em sua mão.
Sentado ao lado, estava tão concentrado lendo jornal que só tive tempo de perceber um vulto se aproximar e dizer:
-“O senhor tem sangue?”
“Ué?”, respondi e emendei: “Se não tenho, tenho o quê?”
Ela não gostou muito da minha resposta ou não entendeu a brincadeira. Um casal idoso à minha frente, sim. Perco a amizade, mas não a piada.
- A faxineira de casa tem o hábito de andar descalça aqui em casa. Esta semana, logo após o almoço, ela passou pela cozinha dizendo: “Ai, que chão geladinho!”
Eu estava perto: “Tá lambendo o chão, é?”
- Hoje é feriado municipal da consciência negra. Em São Paulo, Araraquara e mais 386 cidades brasileiras o dia é de reflexão sobre a presença afro no país. Em outros 750 municípios o dia é é lembrado, mas não é ponto facultativo.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
E o Ricoy?
Todas vezes que se entra em São Carlos, é inevitável o questionamento ao deparar com uma das duas lojas do extino Supermercado Gimenes terem sido reinauguradas com a bandeira Carrefour Bairro em tão pouco tempo.
A imagem da esquerda foi feita sábado (3/10) e da direita no início de maio, em frente à loja Ricoy do Cambuci.
A diferença é que em São Carlos tudo andou rápido, juntamente com as lojas que o Carrefour adquiriu na região.
Curiosamente, a Folha de S.Paulo publicou ontem uma matéria em seu caderno Ribeirão sobre a reinvasão de grandes grupos supermercadistas no interior.
E o Ricoy de Araraquara? Quando abre suas portas?
E aquele espaço comercial que foi ocupado pelas Americanas e pelo Paulistão?
E o do Jaraguá?
E o imóvel que o Savegnago adquiriu e demoliu na Via Expressa com a Sete de Setembro.
Araraquara, neste ponto, dorme demais...
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sábado, 12 de setembro de 2009
Censura prévia e pressão
- 200 fiscais da Receita Federal argentina tomam o prédio do jornal Clarín. Nitidamente é uma represália em função da posição crítica ao governo. São atitudes ignorantes, no mínimo, de quem não saber conviver com o regime democrático. No Brasil vários exemplos servem para mostrar como a intimidação e a pressão sobre os órgãos de imprensa são exercidos de forma truculenta, como foi o caso da Folha de S.Paulo na era Collor Constituir uma afronta à liberdade de expressão e ao livre trabalho jornalístico. - Desembargador do DF impõe multa para o Estado de S. Paulo não publicar matérias relativas a um dos filhos de Sarney. Outra situação em que a imprensa foi tolhida de noticiar investigações não teve desdobramento até hoje. Alguém sabe responder em que pé ficou a situação de censura ao jornal?
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Notas do dia...
- Reforma eleitoral que tramita no Senado proíbe, entre outras coisas, a propaganda de obras públicas em um período próximo às eleições. Isto significa o fim das gastança de nosso dinheiro com essas maquiagens eleitoreiras em todos os níveis? - O vice-presidente da República José Alencar retomou a quimioterapia no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo após encerrar o tratamento experimental de câncer abdominal a que era submetido nos Estados Unidos. Desde 1997 José Alencar já passou por 15 cirurgias. E se ele dependesse do SUS para receber tratamento? - Notícia publicada hoje na Folha revela que os impactos da crise mundial começam a recuar nos jornais americanos, com ligeiro incremento nas vendas. Jornais como o USA Today e Wall Street Journal circulam com pouco mais de dois milhões de exemplares diários. No Brasil o jornal de maior tiragem é a Folha de S.Paulo, com cerca de 300 mil exemplares. Para um país com 200 milhões de brasileiros, tire suas conclusões. - Outro confronto entre moradores de uma favela na capital paulista e a PM. Desta vez foi na Favela Heliópolis, margeando parte do bairro do Ipiranga. Uma adolescente de 17 anos foi alvejada em tiroteio após perseguição da Guarda Civil de São Caetano do Sul (Grande ABCD) a suspeitos de um assalto. Interessante o termo 'bala perdida'. Ela só é perdida se deixar de encontrar seu alvo. Não foi bem assim no caso uma jovem mãe que tentava se proteger da troca de tiros. O levante que se viu nos jornais deixa a impressão que não são os moradores de fato do local, mas de grupos criminosos orquestrados em enfrentar a polícia e causar prejuízo. Eu deixei bem claro: não são moradores e sim criminosos organizados em disseminar o que se viu. E quando é assim, não há outra saída senão dispersar a turba com uma ação mais enérgica. E sempre aparece casta dos estudiosos sociais de plantão com suas teses suspeitas a respeito da ação policial. Gente que vive empoleirada em salas acadêmicas com ar condicionado, cafézinho e (éca!), cigarro entre os dedos, prontos a desancar o trabalho policial, mas sem apresentar qualquer solução. Vão trabalhar! Bandido não é pobre. É bandido. E em bandido tem que sentar a pua sem dó. - Ainda sobre o termo 'bala perdida', lembrei-me de outro que causa estranheza: 'casa mal assombrada'. Se a casa está mal assombrada, não oferece risco ou medo à ninguém por não ter sido devidamente preparada para a finalidade: assustar, causar pânico aos que nela se aventurarem. Agora, se a casa está bem assombrada, até eu fico com medo e não passo nem em frente. Outra situação estranha: o da laranja. Essa eu vi na feira livre do Cambuci em um cartaz que anunciava "laranja lima, bem doce, R$4 a dúzia". Perguntei ao feirante se ele escrevesse laranja bem azeda conseguiria vender todas as caixas do estoque . Ele me olhou com estranheza, pensou e respondeu: "Vou colocar laranja muitíssimo doce". Se estiver ao contrário, passará por mentiroso e perderá a freguesia. Propaganda é a alma do negócio. Não tenho nada com isso.
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