Calor, quimioterapia, fadiga e sonolência se cruzam trazendo sonhos intensos. Ao menos para mim.
O que não consigo estabelecer é o nexo da química cerebral que desencadeia essas experiências no inconsciente.
Acordei há dez minutos de um cochilo de pouco mais de uma hora, com um leve despertar às 16h05, para marcar na memória o horário que sucedeu minha fantasia.
Faz muito calor em São Paulo esta semana. O termômetro na tela do meu computador marca agora 30oC (às 18h em ponto).
Do quinto ciclo de Temodal comprimidos sinto-me cada vez mais 'aéreo', muito distraído mesmo.
Além da convulsão da minha mão esquerda às 22h da terça (09/03), o clássico 'Jorge versus Miguel' [os gêmeos da novela Viver a Vida sempre em pé de guerra], o conteúdo dos meus sonhos se fortalecem no período da quimioterapia.
Hoje à tarde sonhei que estava em Brasília (DF), no apartamento onde moraram meus tios, Mário e Helena, em férias.
Da última vez a paisagem da janela da sala era a outra quadra [Brasília tem isso, quadras, superquadras, residenciais e comerciais] com prédios comerciais em construção.
No sonho tudo estava erguido, mas o que chamou minha atenção foi uma igreja de médio porte pintada em azul e branco. Não sei se era católica ou protestante, mas era muito atraente.
Ao olhar para baixo, contemplando o lugar (estive lá por duas vezes na vida real), percebi o zelador caminhando sobre o gramado do bloco de apartamentos.
Ele transportava um saco plástico preto (desses de 100 litros) com folhas secas de árvores.
Fixei-me no seu rosto e assustei: era o 'Joãozinho da pedra', um porteiro que trabalhou na emissora e fugiu com toda a família depois de assassinar uma mulher a pedradas às margens da SP 255 (rodovia Antônio Machado Santana, entre Araraquara e Ribeirão Preto) em 1993.
Lembro que o corpo da vítima estava no canteiro de obras da duplicação do trecho conhecido por reta dos motéis. À época eu era comunicador de FM.
Era o 'Joãozinho' lá embaixo, pensei. Como veio se esconder em Brasília?
Do elevador desci até o vão dos prédios para ter certeza daquilo.
Mas, ao aproximar, percebi que não era Joãozinho. Assemelhado no rosto, mas não era.
Mergulhado no sonho, retornei ao terceiro andar e reencontrei meus primos, minha mãe, minha tia e meu irmão.
Algumas coisas estavam diferentes na sala, no banheiro e nos quartos e cozinha, mas era o lugar.
Perguntei à minha mãe como viajamos até Brasília se não lembrava de ter dirigido ou embarcado em um ônibus.
"De avião", respondeu. "Aproveitamos a milhagem acumulada da sua avó e viemos", completou.
Acordei novamente. 17h20. Um calor insuportável aqui em Sampa.
Narrei à minha mãe, com todos os detalhes, o que havia sonhado. Ela fica intrigada com minha capacidade de lembrar detalhes do que sonho: conversas, cores e lugares.
Muito antes das duas cirurgias ou tratamentos, consegui -na maioria dos sonhos mais fortes-, recordar tudo, passo a passo.
O pormenor é que meu tio Mário faleceu em 1994 e meu pai, 2006. Ambos não apareciam neste sonho.
Se possui algum significado, não nos é permitido alcançar.
Fechando
22h45: O termômetro marca 26oC na tela do computador.
Será difícil dormir novamente. Ingeri os 280 mg de Temodal às 21h20 e sinto uma coceira pelo corpo, semelhante a alergia. Ficou mais forte desde o quarto ciclo.
Minhas narinas ardem como se tivesse instilado gotas de soro.
Preciso de uma ducha para refrescar e aliviar a coceira.
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sexta-feira, 12 de março de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
TV Anglo
fotos Álvaro Taniguti
Ilha de edição U-Matic da TV Anglo Latino (uma delas)
Esta noite sonhei com o colégio onde estudei [76 a 89], o Anglo Latino, no bairro da Aclimação em São Paulo (SP).
Até onde sei, problemas administrativos [leia-se dívidas de todo tipo] levaram-no à falência. Uma pena, pois foi um gigante que 'abraçava' aos poucos os imóveis das proximidades.
Construiu, em 87, um estúdio de televisão (pelo qual era fascinado) com equipamentos de ponta na época [padrão Umatic, fita com bitola bem maior que o VHS, uso profissional].
Marcava presença quase diária (por curiosidade e insistência), mas o máximo que consegui naquele espaço foi fazer umas fotos pessoais, gravar umas caretas para uma videoaula, ver o pessoal trabalhar nas ilhas de edição, além de assistir o coordenador gravar uma externa no parque da Aclimação.
Ele era professor de matemática. A diretoria da escola o incumbiu do projeto. Era técnico demais, percebia nele muito mais teoria do que prática, que os editores (um deles oriundo da Rede Bandeirantes) e o câmera tiravam de letra.Aquele esquema burocrático emperrou projetos como instalar televisores nas salas e nos pátios 'transmitindo' uma programação interna, comum nos dias atuais em um shopping, através de telas LCD.
Como a demanda financeira da ideia megalomaníaca era alta, limitaram-se a montar racks com um televisor e videocassete por andar, para uso em aula.
O estúdio ficou lá, subutilizado. Um desperdício, mesmo diante do recuo da proposta inicial.
Experimente tirar um jornalista da redação e jogá-lo num escritório de engenharia para erguer um prédio. Era a situação dele, o professor dos números.
Terminei o colegial em 89, prometendo nunca mais colocar os pés por lá. Hoje, nem se quisesse. Concretaram todas paredes, portas e portões.
No sonho desta noite, encontrei o lugar em seu último dia de funcionamento. Os porteiros permitiram entrar e percorrer alguns lugares marcantes. Estive na biblioteca, quadra, uma das piscinas infantis que mergulhei quando criança, cantina, salas onde estudei, além da tv, lógico.
Mas era uma sensação estranha, ar de abandono, semelhante ao Titanic nas profundezas do oceano.
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Ainda sobre Travessia...
Ontem postei sobre 'Travessia'.
Esta manhã recordei cenas de um filme com forte importância para mim: 'Amor Além da Vida' (What Dreams May Come, EUA, 1998), estrelado por Robin Willians [ator que, em novembro de 2009, afirmou em um talkshow americano que o Rio de Janeiro conquistou as Olímpiadas de 2016 mandando strippers e cocaína para Copenhague e foi reprovado pela brincadeira e/ou verdade].
Esta noite, com esse calor 'infernoso' em São Paulo, outro sonho recorrente: queda livre em um elevador.
Caindo a toda velocidade, o painel mostrava algo perto do 102o andar (!).
Consegui acionar um botão que freava a máquina, abrindo as portas em seguida, mas sem alcançar a soleira para sair.
Uma senhora surgia e estendia a mão para me puxar para fora, mas as portas se fechavam, reiniciando a descida descontrolada. Isso se repetiu duas ou três vezes até acordar. Não marquei o horário, infelizmente.
Neste caso pode haver explicação: quando criança era fissurado em andar de elevador. Aos quatro anos cheguei a ficar preso em um desses aparelhos em Niterói (RJ). Mas isso não amedrontou.
Fotomontagem 'Elevador para magros'
No destaque: "Malhar emagrece"
Tanto é que em Brasília -no ano de 1979-, divertia-me mais para cima e para baixo no elevador do que brincando com as outras crianças na área do prédio onde moravam meus tios na Asa Norte da capital federal.
Fazia 'experimentos', como apertar o botão de emergência, que parava o carro onde estivesse. Na maioria das vezes entre os andares ou para ver a soleira que ficava após o acionamento.
Vale dizer que não havia o Big Brother, com câmeras espalhadas por todos lados.
Cheguei a disputar corrida contra o elevador, partindo do quinto andar e programando paradas até a chegada, no térreo. Eu chegava depois, por mais rápido que fosse na escada.
Outra modalidade que meus primos e eu criamos: elevator cross, para saber qual chegava primeiro: social ou serviço.
Em condições de igualdade, claro, igual uma prova de atletismo. Partíamos do térreo para o último andar, soltando as duas portas simultaneamente. Só para saber qual carro chegava primeiro.
Até o dia que perdi: 'meu' elevador parou em um dos andares para um chamado. O morador, antes de entrar, perguntou o que fazia.
Respondi, sincero: "Corridaaa!"
Ele foi até o quinto andar para descer; não sem antes escutar os gritos dos meus primos que comemoravam a 'vitória' à porta.
Mas os sonhos que volta e meia surgem. Envolvem um elevador em queda livre, freadas abruptas e subidas em alta velocidade, a ponto de sentir que sou jogado no teto ou grudar no assoalho, sem conseguir me mover até o próximo tranco.
Hoje, ao entrar em um elevador,lembro-me dessas passagens e também do filme 'O Grito' (Ju On, 2000, Japão), com a cena do garoto Toshio aparecendo na janela de cada andar.
Assustador.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Travessia
Todos sonham. A lembrança quase total do que foi sonhado é o que intriga a neurociência.
Desde criança não apago da memória alguns deles.
Este, que já pode ter ocorrido com você, envolve muito cansaço físico e mental logo ao dormir: quando fomos a Brasília em 1979, depois de mais de 12 horas de viagem, o cansaço era evidente. Aos oito anos de idade, minha preocupação era, naquele momento, tomar banho e dormir.
O sonho veio: corria desesperadamente em uma mata fechada, fugindo não sei de quê, até cair em um buraco fundo.Pulei de susto ao acordar, ofegante. Não entendi isso até hoje.
Lugares de outrora
Quando o sonho te coloca em um lugar sem nunca ter estado e anos depois você visita uma cidade e rapidamente descobre que este era o local, o que dizer?
Isso ocorreu em Caldas Novas (GO), ano de 1988.
Meses antes havia sonhado entrar num quarto de hotel, chegar até à sacada e ver a rua.
Qual não foi minha estranheza ao chegarmos ao hotel e entrar num quarto idêntico ao do sonho?
A única diferença era que, no lugar da sacada, havia uma janela com a mesma vista que havia sonhado.
Repeteco
Outra situação é aquela que vivenciamos conversar com alguém e surge a sensação de haver conversado tudo aquilo anteriormente, sem mudar uma só palavra.
Mais recentes
Neste final de semana o lugar parecia ser Portugal, pelo menos a sugestão (não sei por quê) era essa. Nunca estive por lá. Lugar iluminado, cheio de jardins bem cuidados e pessoas desconhecidas. Tinha a sensação de uma viagem sem retorno. Era algo semelhante a um passeio, mas sem possibilidade de retorno.
Travessia
Nesta madrugada, por volta das 3h50, acordei sem compreender o que havia sonhado.
Não sei onde estava, mas era uma casa onde fui alvejado com dois tiros. Havia outra pessoa junto, mas que desapareceu do sonho com o desenrolar da história. Intrigante, no mínimo. Senti os dois disparos me atingirem. Não houve dor.
Desconheço os dois algozes, tampouco os motivos para tal agressão. Fato é que, segundos após, não respirava.
O que deveria ser sufocamento foi substituído por serenidade com a aproximação de algumas pessoas vestidas com roupas brancas leves. Entidades espirituais, talvez.
Pediam para ficar calmo. Naquele momento não sabia quantos eram. Não estava nervoso, tampouco agitado. Só não assimilava aquilo tudo. Fiquei impassível.
Em seguida era transportado, boiando com a barriga para cima e braços abertos em um lago, canal ou represa, amparado por todas aquelas pessoas que fitavam apenas o horizonte e me guiavam pelas águas. Nada falavam.
À medida que o cortejo avançava, reconheci nas margens os rostos de muitos conhecidos, que me olhavam apenas .
O trajeto, até uma sala ampla e iluminada, foi agradável de ser percorrido, sem sobressaltos nas águas calmas.
Segundos depois estava deitado em um tablado na altura dos joelhos. Não sei como.
As pessoas que estavam nas margens começaram a entrar na sala e se posicionar ao meu redor.
Ao invés de desesperar, uma paz nunca antes experimentada me preenchia, ao som de melodias inebriantes, inimagináveis para o que sempre gostei de ouvir. Naquele instante conseguia fixar meu olhar e minha atenção no teto branco. Um exagero de branco.
Lembro-me que a Rosi deu um beijo em minha testa e se afastou, em tom de adeus.
Consegui, finalmente, olhar ao redor. Não havia tristeza no semblante de quem estava lá, mas um sorriso que transparecia agradecimento.
Novamente as pessoas de branco chegaram perto de mim, eram seis, três de cada lado.
Rostos serenos, novamente pediram que ficasse calmo.
Falaram algo para me levantar lentamente e iniciar a travessia.
Não conseguia fazer o que pediam, tarefa simples quando estamos acordados: levantar.
Naquele instante, decidi que precisava sair daquilo, que não era real, mas não conseguia emergir do sono em que estava mergulhado.
Sentia uma mistura daquele sonho intenso com minha vontade de despertar, sem consegui-lo.
Até que 'pulei' daquilo tudo.
Eram 3h50 desta madrugada.
Estou até agora recobrando as imagens desta noite.
Pudera existir uma máquina com eletrodos que fizesse o 'download' disso tudo e mostrar para você. Enviar para análise, igual biópsia. Assim como todos outros sonhos.
Hoje à noite começo o sexto ciclo de Temodal.
Desde criança não apago da memória alguns deles.
Este, que já pode ter ocorrido com você, envolve muito cansaço físico e mental logo ao dormir: quando fomos a Brasília em 1979, depois de mais de 12 horas de viagem, o cansaço era evidente. Aos oito anos de idade, minha preocupação era, naquele momento, tomar banho e dormir.
O sonho veio: corria desesperadamente em uma mata fechada, fugindo não sei de quê, até cair em um buraco fundo.Pulei de susto ao acordar, ofegante. Não entendi isso até hoje.
Lugares de outrora
Quando o sonho te coloca em um lugar sem nunca ter estado e anos depois você visita uma cidade e rapidamente descobre que este era o local, o que dizer?
Isso ocorreu em Caldas Novas (GO), ano de 1988.
Meses antes havia sonhado entrar num quarto de hotel, chegar até à sacada e ver a rua.
Qual não foi minha estranheza ao chegarmos ao hotel e entrar num quarto idêntico ao do sonho?
A única diferença era que, no lugar da sacada, havia uma janela com a mesma vista que havia sonhado.
Repeteco
Outra situação é aquela que vivenciamos conversar com alguém e surge a sensação de haver conversado tudo aquilo anteriormente, sem mudar uma só palavra.
Mais recentes
Neste final de semana o lugar parecia ser Portugal, pelo menos a sugestão (não sei por quê) era essa. Nunca estive por lá. Lugar iluminado, cheio de jardins bem cuidados e pessoas desconhecidas. Tinha a sensação de uma viagem sem retorno. Era algo semelhante a um passeio, mas sem possibilidade de retorno.
Travessia
Nesta madrugada, por volta das 3h50, acordei sem compreender o que havia sonhado.
Não sei onde estava, mas era uma casa onde fui alvejado com dois tiros. Havia outra pessoa junto, mas que desapareceu do sonho com o desenrolar da história. Intrigante, no mínimo. Senti os dois disparos me atingirem. Não houve dor.
Desconheço os dois algozes, tampouco os motivos para tal agressão. Fato é que, segundos após, não respirava.
O que deveria ser sufocamento foi substituído por serenidade com a aproximação de algumas pessoas vestidas com roupas brancas leves. Entidades espirituais, talvez.
Pediam para ficar calmo. Naquele momento não sabia quantos eram. Não estava nervoso, tampouco agitado. Só não assimilava aquilo tudo. Fiquei impassível.
Em seguida era transportado, boiando com a barriga para cima e braços abertos em um lago, canal ou represa, amparado por todas aquelas pessoas que fitavam apenas o horizonte e me guiavam pelas águas. Nada falavam.
À medida que o cortejo avançava, reconheci nas margens os rostos de muitos conhecidos, que me olhavam apenas .
O trajeto, até uma sala ampla e iluminada, foi agradável de ser percorrido, sem sobressaltos nas águas calmas.
Segundos depois estava deitado em um tablado na altura dos joelhos. Não sei como.
As pessoas que estavam nas margens começaram a entrar na sala e se posicionar ao meu redor.
Ao invés de desesperar, uma paz nunca antes experimentada me preenchia, ao som de melodias inebriantes, inimagináveis para o que sempre gostei de ouvir. Naquele instante conseguia fixar meu olhar e minha atenção no teto branco. Um exagero de branco.
Lembro-me que a Rosi deu um beijo em minha testa e se afastou, em tom de adeus.
Consegui, finalmente, olhar ao redor. Não havia tristeza no semblante de quem estava lá, mas um sorriso que transparecia agradecimento.
Novamente as pessoas de branco chegaram perto de mim, eram seis, três de cada lado.
Rostos serenos, novamente pediram que ficasse calmo.
Falaram algo para me levantar lentamente e iniciar a travessia.
Não conseguia fazer o que pediam, tarefa simples quando estamos acordados: levantar.
Naquele instante, decidi que precisava sair daquilo, que não era real, mas não conseguia emergir do sono em que estava mergulhado.
Sentia uma mistura daquele sonho intenso com minha vontade de despertar, sem consegui-lo.
Até que 'pulei' daquilo tudo.
Eram 3h50 desta madrugada.
Estou até agora recobrando as imagens desta noite.
Pudera existir uma máquina com eletrodos que fizesse o 'download' disso tudo e mostrar para você. Enviar para análise, igual biópsia. Assim como todos outros sonhos.
Hoje à noite começo o sexto ciclo de Temodal.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Sono conturbado
Meu sono, desde o início da quimioterapia, tem sido conturbado.
Sinto muito sono durante o dia, cochilo à tarde, volto a cair na cama à noite, mas não é reparador das energias. Durmo, mas não descanso.
Consequência:
Os sonhos que tenho tido ultimamente são estranhos. Pelos lugares e circunstâncias.
Em um deles, da noite desta quarta (20), estava internado num quarto de hospital, mas era como uma sala de aula de um colégio de padres perto de casa. Eu nunca estudei lá.
Aquelas janelas enormes de madeira davam visão para um grande pátio. Mas eu estava internado lá, esperando para ter alta, quando avisaram que teria que ficar mais alguns dias.
Sei que havia muitas pessoas no pátio, parecia hora do intervalo. Quando abri a porta do quarto, dava para um corredor central enorme, largo, típico de colégio católico.
Ao mesmo tempo via pessoas passando, parecia conhecer, mas não conseguia identificá-las.
Dei uma espiada nesse pátio, vi um menino passar por mim num triciclo, ir até um armário do outro lado do pátio, abrir, pegar um giz e voltar pelo corredor.
Ao retornar ao quarto, um pouco aborrecido pela notícia de não ter alta (não sei o motivo da internação), sentei em uma poltrona e pensei passar o final de semana naquele lugar, fechado, sem ninguém, sem movimento, apenas o guarda da portaria no portão de entrada. Deu um vazio.
Outra noite sonhei que estava em um lugar cheio de gente, indo e vindo, lembra o pátio da Uniara. Tentava conversar com algumas pessoas, mas elas não me ouviam ou viam. Aquilo começou a me sufocar, a desesperar, sem conseguir efetivar contato com ninguém. A sensação é que não estava dentro de mim.
Há um certo tempo sonhava que estava no metrô, mas para embarcar, tinha que pular até o vagão na linha oposta.
Aquilo me desesperava por ter que pular uma distância muito grande, pensar nos segundos que me restavam antes da partida e embarcar no único vagão parado na plataforma oposta. Normalmente cada composição do metrô paulistano leva oito vagões por viagem. No sonho era um só.
E foi antes do filme Ghost, em que o Sam pulava de um vagão ao outro no túnel.
Um tipo de sonho recorrente é estar num elevador e simplesmente ele inicia queda livre no poço. Sou atirado contra o teto e não consigo fazer nada até parar, jogando-me no chão.
Em seguida o elevador começa a subir tão rápido que não posso me levantar do chão, tamanha é a velocidade que alcança.
Quando criança adorava andar de elevador. Fiquei preso uma vez num elevador em Niterói (RJ).
Fora isso, sonhar que está correndo no meio do mato e cair num buraco acontecia muito quando estava cansado.
Isso acontceu numa viagem para Brasília (DF) em 1979, uma viagem de 14 horas a partir de São Paulo.
Estava cansado, mas tão cansado, que ao dormir, sonhei que corria no mato, em desespero -olhando para trás o tempo todo-, até cair num buraco. Acordei assustado.
Até hoje não encontrei explicações.
Sinto muito sono durante o dia, cochilo à tarde, volto a cair na cama à noite, mas não é reparador das energias. Durmo, mas não descanso.
Consequência:
Os sonhos que tenho tido ultimamente são estranhos. Pelos lugares e circunstâncias.
Em um deles, da noite desta quarta (20), estava internado num quarto de hospital, mas era como uma sala de aula de um colégio de padres perto de casa. Eu nunca estudei lá.
Aquelas janelas enormes de madeira davam visão para um grande pátio. Mas eu estava internado lá, esperando para ter alta, quando avisaram que teria que ficar mais alguns dias.
Sei que havia muitas pessoas no pátio, parecia hora do intervalo. Quando abri a porta do quarto, dava para um corredor central enorme, largo, típico de colégio católico.
Ao mesmo tempo via pessoas passando, parecia conhecer, mas não conseguia identificá-las.
Dei uma espiada nesse pátio, vi um menino passar por mim num triciclo, ir até um armário do outro lado do pátio, abrir, pegar um giz e voltar pelo corredor.
Ao retornar ao quarto, um pouco aborrecido pela notícia de não ter alta (não sei o motivo da internação), sentei em uma poltrona e pensei passar o final de semana naquele lugar, fechado, sem ninguém, sem movimento, apenas o guarda da portaria no portão de entrada. Deu um vazio.
Outra noite sonhei que estava em um lugar cheio de gente, indo e vindo, lembra o pátio da Uniara. Tentava conversar com algumas pessoas, mas elas não me ouviam ou viam. Aquilo começou a me sufocar, a desesperar, sem conseguir efetivar contato com ninguém. A sensação é que não estava dentro de mim.
Há um certo tempo sonhava que estava no metrô, mas para embarcar, tinha que pular até o vagão na linha oposta.
Aquilo me desesperava por ter que pular uma distância muito grande, pensar nos segundos que me restavam antes da partida e embarcar no único vagão parado na plataforma oposta. Normalmente cada composição do metrô paulistano leva oito vagões por viagem. No sonho era um só.
E foi antes do filme Ghost, em que o Sam pulava de um vagão ao outro no túnel.
Um tipo de sonho recorrente é estar num elevador e simplesmente ele inicia queda livre no poço. Sou atirado contra o teto e não consigo fazer nada até parar, jogando-me no chão.
Em seguida o elevador começa a subir tão rápido que não posso me levantar do chão, tamanha é a velocidade que alcança.
Quando criança adorava andar de elevador. Fiquei preso uma vez num elevador em Niterói (RJ).
Fora isso, sonhar que está correndo no meio do mato e cair num buraco acontecia muito quando estava cansado.
Isso acontceu numa viagem para Brasília (DF) em 1979, uma viagem de 14 horas a partir de São Paulo.
Estava cansado, mas tão cansado, que ao dormir, sonhei que corria no mato, em desespero -olhando para trás o tempo todo-, até cair num buraco. Acordei assustado.
Até hoje não encontrei explicações.
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