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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Feeeeio, eu?



1989 - Tiete de rádio, na Cidade FM Sampa

Logo que comecei a trabalhar em rádio, em 1991, tive a oportunidade de conversar e conhecer ouvintes que se deixam levar pela imaginação alimentada pelo rádio.

Gosto do rádio por isso. Experimente ouvir uma decisão de campeonato de futebol pelo rádio do carro enquanto estiver viajando. Você tem vontade de parar o carro no acostamento para gritar ‘Goooooooooooool’ quando seu time marca. E também fica louco para esmurrar o painel do rádio se toma um gol. Não é?
Rádio é ótimo por isso. É sua imaginação a mil por hora!
Ligue a tv num jogo, abaixe o som e deixe o audio por conta de um rádio ao lado.
Você percebe que a emoção é somente do rádio.
Pois bem. Novato em rádio, uma ouvinte ligava sempre e elogiava minha voz, que era isso, aquilo etc.
Até que um dia resolveu me conhecer na emissora.
Uma semana depois ela retorna levando uma menina junto.
-“É minha filha, tem seis anos”, apresentou-me dizendo seu nome (que não lembro mais).
- “Viu, filha? É ele que fala no rádio o nome das músicas”.
Criança não tem trava na língua. Ela me olhou de cima abaixo, fitou minha cara e disparou:
-“Ah, mãe, ele não é tão feio como você disse!”
Minha ouvinte, que se sentiu encorajada em levar a filha para conhecer aquele que falava no rádio, não tinha onde enfiar a cara.
Desconversei, brinquei dizendo que criança não sabe o que diz. Essa ouvinte nunca mais ligou ou apareceu.
Não sabe, é?


sábado, 12 de setembro de 2009

Sábado quente em São Paulo

O dia começou com tempo encoberto e vento frio. Melhor, começou. O sol deu as caras com força na capital paulista e indica que será assim no final de semana. Em poucos momentos viajo novamente para Araraquara, mas um ponto de interrogação me cerca há alguns dias, desde que as portas do tratamento se abriram com os médicos e o advogado que surgiram. Vamos lá: ficar com um pé em São Paulo e o outro em Araraquara (SP) me leva a um autoquestionamento que não consigo encontrar respostas, talvez por não ser permitido nem à mim e à ninguém (coisas d´Ele): qual o papel a exercer depois do tratamento? Por que os caminhos da vida me tiraram de Sampa, passaram por Bauru (SP) e finalmente levaram até Araraquara? Longe de ser egoísta, mas o que está traçado também para as pessoas que amo, aprendi a admirar e respeitar? Devo muito aos que me deram as oportunidades em seus devidos momentos, me ensinaram a levantar das quedas e caminhar novamente, sem ressentimentos ou vinganças, reconhecendo os erros e assumindo-os com humildade, sem medo de ser julgado, pois é melhor pecar pelo excesso que pela omissão. Sou eternamente grato. Tenho uma certeza: ao término do tratamento quero mergulhar de 'cabeça ' naquilo o que mais gosto de fazer: trabalhar. Mais e mais. Não consigo diminuir o ritmo que me conduzia de jeito nenhum. Voltarei como um supersônico. Quanto a Araraquara e São Paulo, não gosto de parafrasear (até mesmo porque o estilo musical nunca fez meu estilo), mas deixa a vida me levar. Trabalho, aguarde-me...